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Internacional Caspe Bass 2002  

Caspe Bass 2002 - 4, 5 e 6 de Outubro de 2002

 
 

 

 






 

 

 

A Viagem

1.100 Km!! Mais coisa menos coisa dependendo do ponto de partida. Com o barco e o atrelado é duro. Mais de 12 horas de viagem.

Tudo por auto-estrada que só se paga em Portugal - curiosidades do nosso País!

 Sair de madrugada muito cedo na antevéspera da prova.
 Destino: Embalse de Mequinenza no rio Ebro, Caspe, ou mais precisamente o camping (Lake Caspe Camping).

 Chegar à noite e montar a tenda ou pedir a chave da roulote. Alguns alugam quarto ou casa em Caspe, mas perdem um pouco do convívio e da envolvência da prova que se sente por todo o camping onde ficam a maioria dos participantes.

 Algumas equipas fazem a viagem de noite! Chegam de madrugada, na véspera da prova e tentam descansar alguma coisa até ao briefing dessa noite. No dia seguinte, dez horas de prova, repetindo-se a dose nos dois dias seguintes. Depois mais um dia de viagem para o regresso. No mínimo é duro, muito duro! E estar em boa forma física é essencial.

Mas, como diz o ditado, quem corre por gosto não cansa! 

 

 
 
 

 

 

O Camping

Situado a cerca de 15 km da povoação de Caspe é a base de todo o evento e a sede da Associação Desportiva Lake Caspe, organizadora do encontro.

 Agradável e ordenado satisfaz em termos gerais as necessidades dos participantes.

Possui espaços para o carro e o barco o que se torna extremamente cómodo, permitindo retirar o barco após cada dia de pesca e cuidar do equipamento e das baterias com toda a comodidade e sem pressas.

Não é própriamente barato, mas torna-se a escolha da maioria dos participantes, devido à proximidade de todas as componentes do evento.

Rampa de acesso à água, local de "briefing" ao final do dia, tudo está perto e evita deslocações cansativas.

 No lotes ao lado estão os outros participantes do encontro o que torna o convívio e a troca de impressões inevitável.

 As roulotes são uma alternativa mais cara do que as tendas, mas já incluem o carro, o barco e a electricidade e possuem um avançado com mesa e cadeiras, bem como, uma cozinha em separado.

 Duas equipas podem partilhar uma roulote tornando assim a estadia mais barata.

 

 

 

 

O Convívio

Como já foi mencionado, a presença da maioria das equipas no mesmo local permite alguns momentos de convívio mais alargado e caloroso.

Nos últimos anos, a "armada alentejana" tem sido inexcedível na criação de um ambiente agradável e envolvente, nomeadamente trazendo até alguns acompanhantes não pescadores, com tarefas específicas como um cozinheiro!!

 E que belos petiscos saíram das suas mãos, nomeadamente um cozido à portuguesa de comer e chorar por mais. Há sempre um bocadinho a mais para dar a provar aos compatriotas e mesmo aos participantes estrangeiros.

Este ano uma das equipas (José Pereira e Fernando Valadão) chegou ao ponto de trazer um acompanhante multidisciplinar - cozinheiro, preparador físico, massagista, animador e relações públicas que se tornou rápidamente um sucesso de popularidade - o nosso consócio João Caixeiro.

 Muito à custa de uma excelente caipirinha preparada pelo nosso companheiro Hélder Maia (representante do Brasil) que distribuída pelo João Caixeiro a toda a gente que passava, até recebeu encomendas para os dias seguintes. Infelizmente não atendidas, já que a aguardente de cana era escassa e como sabemos é um ingrediente indispensável para a confecção da caipirinha.

Ao final de cada dia de prova trocavam-se histórias do dia de pesca, das técnicas utilizadas, das capturas com quase a medida, dos siluros e das lúcio-percas. Algumas equipas trocavam dados tentando preparar o melhor possível o dia seguinte.

 Não esquecer ainda que no parque estão equipas de dez países e que o contacto "internacional" é inevitável.

 A barreira linguística não é obstáculo intransponível principalmente com o tradicional desenrascanço dos portugueses. Enfim toda uma envolvência sem paralelo em qualquer outra prova. 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

O "Briefing" - Recepção aos participantes

Nos últimos anos tem sido feita em grande estilo, nas instalações do Teatro Municipal de Caspe.

Os participantes começam por comparecer junto do secretariado da prova que confirma a chegada das equipas inscritas e lhes fornece toda a documentação necessária.

Esta inclui um mapa da barragem, folhetos informativos diversos e o regulamento da prova traduzido na língua dos participantes (uma inovação este ano). Enquanto a recepção decorre são projectados vídeos alusivos à pesca do achigã. No átrio do teatro estão expostos os prémios e os troféus da prova.

De realçar as placas para os  vencedores da cada dia de prova e os belíssimos troféus para os maiores exemplares, todos em alabrastro. Troféus de peso - é o mínimo que se pode dizer.

A cerimónia recomeça às 22.00 horas com os inevitáveis discursos da presidente da Câmara de Caspe, do presidente da Federação de Pesca de Aragão e do presidente da Associação Desportiva Lake Caspe Bass. 

Segue-se a projecção de um vídeo sobre a prova do ano anterior ( o deste ano inclui uma retrospectiva de todas os encontros já realizados). Nos últimos anos estes vídeos estão disponíveis para venda. 

 A cerimónia continua com a apresentação de alguns dos participantes.

É dado o devido realce aos convidados estrangeiros (neste ano os profissionais dos USA, do Canadá e do Japão mereceram destaque), representantes de novos países (no ano passado, os representantes do Brasil - nossos associados), os campeões nacionais dos países com Campeonato Nacional, terminando com os Campeões de Caspe do ano anterior.

Segue-se a apresentação do conjunto de Juizes da Prova e a apresentação das principais regras do Regulamento. Por último, procede-se ao sorteio de saída da prova.

 É sorteado o número de uma das equipas que será a primeira a sair.

Formam-se grupos de 6 equipas com numeração consecutiva que saem a cada 5 minutos.

 Em cada meia hora sai um conjunto de 30 barcos (uma série). A partida decorre ao longo de 1h e meia para os 90 barcos. 

Todos os barcos pescam 10 horas (este ano devido à ausência de abastecimento de gasolina no local da prova, a mesma foi encurtada para 9 horas)

Nos dias seguintes cada série de 30 barcos rodará o seu período de saída dando a oportunidade a todas as equipas de sair mais cedo num dos dias de prova ( na 1ª meia hora, na 2ª meia hora ou na 3ª meia hora alternadamente).

 É feita a distribuição da ficha de pesagem que deverá obrigatoriamente ser apresentada á pesagem - ou entregue à organização no caso de não haver capturas - na qual consta a hora de início e do final da prova para cada equipa

Termina a cerimónia geralmente a uma hora imprópria para desportistas que se vão levantar de madrugada no dia seguinte (este ano a cerimónia terminou próximo da meia-noite, as primeiras equipas a partir têm que se levantar antes das 6 horas da manhã) .

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Barragem

Mar de Aragão. Nome extremamente apropriado. As zonas mais largas com o vento forte habitual por estas paragens produzem uma ondulação de respeito. O "passar a zona do mosteiro antes que seja impossível" é uma frase repetida pelos participantes e que se interioriza quando a organização enumera os "locais seguros" onde uma embarcação em apuros se pode abrigar enquanto aguarda que a organização os venha recolher - por terra!

Verdade seja dita que é aqui que se nota a diferença num barco de maior calado e motorização. A maior segurança e mobilidade que este permite faz a diferença e torna-se a razão primária para justificar o investimento feito.

Tirando os dias de tempestade de Outono (felizmente raros nos últimos anos) o que temos pela frente? Quase 500 Km de margem, 1.530 milhões de m3 de água, longitude máxima de 110 km, largura média de 600 metros e profundidades que atingem os 60 metros. As temperaturas da água rondam os 16º C de média, com a mínima a atingir 11º C em Fevereiro e a máxima os 26º C em Agosto.

A zona delimitada para a prova tem menos de metade da extensão total da barragem, cerca de 50 km de extensão, com a partida (zona do parque de campismo) situada a cerca de 1 quarto do limite esquerdo e a cerca de 3 quartos do paredão de Mequinenza.

É necessário definir um plano de acção, pois mesmo com 10 horas de pesca é impossível cobrir todas as zonas interessantes. Ainda por cima, tudo parece excelente para o nosso amigo achigã. A barragem está cheia de paredes de pedra fabulosas, bicos, enseadas cheias de árvores, todo o tipo de estruturas e coberturas que o achigã tanto aprecia. Podem-se perder horas a pescar uma única margem, cada sítio a que se chega é melhor em aspecto que o anterior.

Existem alguns marcos famosos e que são o bilhete postal da barragem. O mosteiro da ilha Magdalena é um desses marcos, muito utilizado como ponto de referência por todos os pescadores e uma presença constante nessa zona da barragem pois é visível de quase todas as orientações e enseadas dessa zona.

Na zona à esquerda do parque de campismo a água é geralmente mais barrenta e as rochas são geralmente mais arredondadas. Encontram-se ocasionalmente zonas de alabastro que ao serem iluminadas pelo sol dão um aspecto irreal a algumas margens. Enseadas de inclinação suave e fundos arenosos são aqui mais frequentes. Nalgumas encontram-se ocasionalmente algumas árvores afundadas.

Para a direita do parque, passando a zona do mosteiro, a paisagem altera-se ligeiramente.

Nalgumas zonas as cordilheiras são imponentes transmitindo a sensação de nos encontrarmos em qualquer região norte-americana característica de filmes do far-west. É, no mínimo, uma sensação difícil de igualar em Portugal e que representa um dos aliciantes de pescar em Caspe. Paisagens deslumbrantes e imponentes que enriquecem em muito o prazer de pescar neste local.

Na zona mais perto do paredão a água é mais transparente e aparentemente a densidade de achigãs também, embora aparentemente de menor dimensão. Este aspecto é, no entanto, bastante variável de ano para ano. Por muito que se conheça esta barragem esta não cessa de nos surpreender.

 Por exemplo, no concurso de 2000, para baixo da zona de Liberola (na fotografia ao lado) não se conseguia uma única captura, mesmo de peixe sem medida. Este ano a densidade de peixe sem medida era aí muito significativa.

Esta dificuldade em "lêr" a barragem não é exclusiva dos participantes estrangeiros. Mesmo os pescadores da Associação Desportiva Lake Caspe Bass que pescam neste local inúmeras vezes ao longo do ano a sentem e sofrem das mesmas dúvidas e angústias. Basta atentar no que aconteceu aos vencedores do ano passado, dois excelentes pescadores pertencentes a esta Associação que capturaram apenas dois exemplares este ano, tendo gradado no segundo dia de prova.

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Peixe

Um autêntico "caldo de cultura" experimental este rio Ebro. Inúmeras introduções ilegais de espécies exóticas ao longo do tempo fazem deste rio um dos que possuem uma fauna piscícola mais diversificada de toda a Espanha - siluros, lúcio-percas, achigãs, carpas, barbos, lúcios, alburnos, perca-sol, rutilos, góbios e até lagostins vermelhos da louisiana partilham este espaço.

Das espécies mais significativas do ponto de vista da pesca desportiva na zona do Embalse de Mequinenza salientam-se a Carpa (a mais numerosa com cerca de 67% dos efectivos píscícolas), o  Achigã (quase 11%), o Siluro (cerca de 10%) e a Lúcio-Perca (cerca de 10%) - para valores estimados de cerca de 50 milhões de peixes em 1999.

Não esquecer ainda a presença do Alburno (Alburnus alburnus)., um ciprinídeo  planctonívoro, de água aberta, com deslocação em cardume e que serve de presa a quase todas as outras, sendo responsável pelos hábitos agressivos dessas espécies - carpas incluídas! - contra qualquer amostra que imite um alburno ou outro pequeno peixe. 

A Carpa (Cyprinus carpio)

Apresenta um comportamento muito característico nesta barragem. Desloca-se geralmente em cardumes muito compactos, assumindo uma coloração muito escura. Inicialmente assemelham-se a grandes massas rochosas, mas a sua deslocação cedo esclarece o engano. Este comportamento será provavelmente uma estratégia de protecção contra o seu maior predador - o Siluro.

É frequente assistir-se a fugas desesperadas do cardume de carpas seguidas de um espectacular ataque de um enorme siluro. Um espectáculo impressionante! O peso médio ronda os 4 Kg de peso, com capturas eventuais  de carpas com mais de 10Kg e records de mais de 15 Kg.

O Achigã (Micropterus salmoides)

É extremamente abundante quando comparado com as barragens portuguesas. É mesmo considerada a maior população de achigã da Europa com uma estimativa de mais de 6 milhões de exemplares. A esta riqueza em achigãs não são estranhas as disposições legais do Governo de Aragão que especifica no seu Plano Geral de Pesca para a Barragem de Mequinenza um limite diário de 3 exemplares por pescador/dia com um mínimo de 35 cm desde a boca ao ponto médio da barbatana caudal. A norma quase geral nesta barragem é no entanto o Pescar e Libertar no que ao achigã diz respeito.

É perfeitamente normal capturar mais de 20 achigãs por dia entre as 500g e o 1Kg. Achigãs com mais de 1Kg parecem mais escassos nos últimos dois anos, principalmente na época do Encontro International Caspe Bass disputado em Outubro. Continuam, no entanto, a ser capturados noutras épocas do ano achigãs até aos 2 Kg em números muito razoáveis. Os exemplares com mais de 2,5 Kg e 3Kg são mais difíceis de encontrar.

Se esta ligeira quebra dos últimos anos se deve aos efeitos da expansão do Siluro e da Lúcio-Perca, da pressão de pesca crescente ou de outras causas cíclicas ou pontuais, teremos que esperar e investigar para tirar conclusões.

O Siluro (Silurus glanis)

Mais abundante na parte superior da barragem em locais característicos (enseadas baixas e calmas, de fundos arenosos) encontra-se distribuído por toda a barragem, patrulhando as zonas de penhascos com fundos rochosos com total à vontade.

 Nesta barragem já foram capturados exemplares com mais de 2 metros e com peso superior a 60 Kg.

 São vulgares as capturas entre os 5 e os 15 Kg com qualquer tipo de amostra (desde buzzbait a amostras de fundo).Mesmo estes "pequenos" exemplares possuem uma força descomunal e para os conseguirmos trazer à superfície é necessária uma utilização judiciosa do freio do carreto e uma boa dose de treino de halteriofilia. São sucessivos movimentos de "levantamento de peso", seguidos de uma arremetida desenfreada de volta para a segurança do fundo por parte do peixe. Este procedimento repete-se durante longos minutos. Pode levar mais de vinte minutos a conseguir ver a sua silhueta para exemplares de maior porte.

Um dos aspectos mais desagradáveis do contacto com esta espécie é a enorme quantidade de muco que recobre rápidamente tudo o que entra em contacto com a sua epiderme desprovida de escamas. Esta situação é tão desagradável que se tenta por todas as formas recuperar a amostra com o peixe ainda dentro de água, sob pena de cobrir toda a embarcação de muco.

 A pesca com isco vivo (carpa) é a mais praticada e existe um enorme fluxo de pescadores estrangeiros (autênticas romarias vindas de toda a Europa, principalmente da Alemanha, para pescar esta espécie)

Infelizmente os seus hábitos predatórios, são provavelmente responsáveis pelo decréscimo verificado nos últimos anos nas populações do achigã.

A Lúcio-Perca (Stizostedion lucioperca

É uma introdução mais recente do que a do Siluro (que já vai com 28 anos) mas rápidamente ocupou o seu nicho ecológico.

 Ao pescarmos uma parede rochosa  ou um bico de pedra a maior profundidade (abaixo dos 6 metros) é quase inevitável capturarmos esta espécie que revela especial preferência pelas amostras de cor clara (nomeadamente as de cor branca) a que não será estranha a presença do alburno.

Provida de uma dentição apreciável, para segurar as presas que não é geralmente suficiente para provocar cortes, mesmo nos monofilamentos, a lúcio-perca apresenta uma cor clara e escamas ásperas ao toque.

A lúcio-perca não se compara ao nosso amigo achigã no que respeita à capacidade de se defender.

 A luta é breve e o peixe esgota-se rápidamente, deixando-se agarrar à superfície com facilidade.  Mesmo os exemplares de maior porte não oferecem grande resistência (são capturados com frequência exemplares rondando os 2-3 kg, mas chegam a atingir pesos superiores aos 6 Kg).

 Não é geralmente necessário utilizar uma ferramenta para segurar o peixe enquanto se desferra, mas, na ao pegar-lhe, atenção aos espinhos da barbatana dorsal que podem provocar feridas muito desagradáveis. 

Esta espécie é muito apreciada pela sua carne e na zona do Camping é a única que se pode observar regularmente como refeição dos veraneantes (com excepção do Siluro, muito apreciado pelos alemães). O achigã é, por norma, devolvido às águas da barragem.

Em resumo, uma enorme variedade de espécies que colocam ao pescador de achigã vários desafios e que implicam obrigatóriamente algumas alterações de estratégia como forma de se adaptar às condições locais de forma a conseguir capturar o nosso amigo achigã.

 

 
 

 

 

 

As Embarcações

O nível das embarcações que comparecem ao encontro tem subido de ano para ano. Simplesmente impressionante! Se recuarmos até 1997, podemos afirmar que os barcos de fibra actuais eram raros e que os motores de 25 HP eram a normalidade.

De então para cá tem sido um crescendo quer a nível de barcos quer a nível de motores. Nitros - a maioria (muito por culpa do representante espanhol da marca sistemáticamente premiado como o melhor dealer da europa), mas também Procraft, Ranger, Skeeter, entre outros. Não esquecer o nosso Cabril 470, bem representado e vários barcos de alumínio, SaraCraft, Tracker entre outros.  A média de motorização rondará os 90 HP.

Este ano surgiram pela primeira vez motores de 200 HP! 3 nitros 901, dois com Mercury 200 HP Optimax. Dada a dimensão desta barragem um barco rápido ajuda bastante, principalmente se o peixe não se encontrar muito localizado. Pelo menos permite ao participante a deslocação rápida a outras zonas da barragem na esperança de encontrar aí peixe. Mas nem sempre salva a grade - que o digam os participantes canadianos que gradaram nos 3 dias de prova.

Mas os registos provam que equipas com embarcações "inferiores" em dimensão e motorização ficam regularmente em bons lugares ou chegam mesmo a ganhar a prova. São exemplo disso mesmo os irmãos Longas que com o seu pequeno barco de alumínio com um motor de 25 HP chegam a qualquer ponto da barragem (não esquecer que são 10! horas de pesca) e ficam sistematicamente bem classificados (2º lugar no ano passado)

O conhecimento da barragem, a qualidade dos pescadores e a boa fortuna de descobrir um padrão de pesca desde o 1º dia revelam-se mais importantes que o nível das embarcações, uma conclusão consolidada pela boa prestação deste ano do José Pereira e do Fernando Valadão no seu "pequeno" (à escala de Caspe) barco.

 

 

1º Dia de Prova

1º Dia de prova. O nervosismo está patente em todos os concorrentes. É extremamente importante começar bem em Caspe. Um mau primeiro dia corresponde geralmente a hipotecar qualquer hipótese de atingir os primeiros lugares. Existe sempre a possibilidade de alcançar os 25 primeiros e assegurar a qualificação directa para o ano seguinte, mas sem um bom primeiro dia este objectivo é muito mais difícil.

Uma ambição de todos os participantes consiste em tentar assegurar o limite em todos os dias de prova.

Atingir este objectivo correspondia geralmente a assegurar uma boa classificação.
Nos últimos anos fazer o limite em qualquer dos dias de prova tornou-se quase uma miragem! 

Este ano NENHUMA das equipas em prova (91) conseguiu o limite (6 peixes com 35cm) em qualquer dos dias de prova. E a equipa vencedora capturou apenas 8 peixes (em 18 possíveis) nos 3 dias de prova. 

Em consequência o 1º dia tornou-se uma decepção para 41 equipas que não trouxeram qualquer exemplar com medida à pesagem. Apenas 1 equipa conseguiu 4 exemplares e apenas 5 conseguiram 3 exemplares.

Classf.
 1º dia
Equipas Exemplares Peso Classf.
 Final
David Dubreuil e Lionel Grou 3 3,585 Kg 16º
Emílio Rubio e Segundo Vega 3 3,470 Kg
Alfredo Oliveros e Alejandro Romero 4 3,405 Kg
Marco Cambi e Paolo Vannini 2 2,610 Kg 13º
Michael Nau e Manuel Nau 2 2,510 Kg 22º
David Espax e Darlo Cami 3 2,470 Kg
Simone Bruccoleri e Carlo Castellani 3 2,435 Kg
Stefano Defendini e Oscar Bignotti 3 2,425 Kg 33º
Lorenzo Vidal e Vicente P. Benavent 2 2,090 Kg
10º Stefano Giraldi e Roberto Rondinini 2 1,915 Kg 10º

Para a representação portuguesa este 1º dia foi um autêntico desastre. 7 equipas conseguiram apenas 1 captura e as restantes 5 nenhuma. Carlos Madeira e e Mário Nelson - 990 g; Orlando Baptista e Luís Gil - 985 g e Pedro Félix e Manuel Mariano com 970 g eram as 3 melhores equipas portuguesas.

De realçar o azar da equipa João Lourenço e Paulo Ramos que com dois exemplares capturados, viram um dos exemplares ser desclassificado devido a um erro na sua bitola que por deformação da chapa de alumínio, produziu um erro de dois milímetros na medição.

2º Dia

A esperança é a última a morrer. E assim no início do 2º dia de prova a animação regressa. As tácticas foram revistas e reajustadas. As conclusões do 1º dia ajudaram a aperfeiçoar o plano de acção para este novo dia. Desta vez é que vai ser...

Hermínio Rodrigues e Manuel Pascoal

Os resultados é que não acompanharam esta lógica. Senão vejamos: 1 equipa com 4 exemplares (que tinha gradado no dia anterior), 3 equipas com 3 exemplares, 14 equipas com 2 exemplares, 23 equipas com 1 exemplar e 50 equipas com ZERO exemplares!

Classf.
 2º dia
Equipas Exemplares Peso Classif.
1º Dia
Classf.
 Final
Francisco Perez e José Perez 4 3,385 Kg 51º(grd) 19º
Simone Bruccoleri e Carlo Castellani 3 2,820 Kg
Gary Yamamoto e Beverly Yamamoto 2 2,650 Kg 51º(grd)
Alex Palau e Jordi Macia 3 2,590 Kg 51º(grd) 30º
Hermínio Rodrigues e Manuel Pascoal 2 2,495 Kg 51º(grd) 12º
Miguel Gil e Ramón Rodriguez 3 2,450 Kg 51º(grd) 20º
Mark Curry e José Iglesias 2 2,105 Kg - 15º
Miguel Sainz e Juan Campos 2 2,090 Kg - 11º
Stefano Sammarchi e Roberto Dalla 2 1,925 Kg -
10º Federico Rodriguez e Javier Muñoyerro 2 1,895 Kg - 24º

Prestação nacional: Hermínio Rodrigues e Manuel Pascoal com um excelente 5º lugar no dia - 2 exemplares - 2,495 Kg, José Pereira e Fernando Valadão - com 2 exemplares - 1,600 Kg e João Lourenço e Paulo Ramos - 1 exemplar - 1,100 Kg foram as melhores equipas portuguesas. Mais 5 equipas nacionais com 1 exemplar e 3 equipas com zero finalizaram os resultados deste dia. 

3º Dia

Dia final. O nervosismo já só existe entre quem luta pelos primeiros lugares. Os restantes tentam assegurar a melhor classificação possível. Os dez primeiros com lugar a destaque no pódio ou do mal o menos, a meta que é ficar entre os primeiros 25 que estão automáticamente apurados para o ano seguinte.

Para os restantes, o orgulho de participar entre 91 excelentes equipas, das melhores europeias e a esperança de conseguir o apuramento no ano seguinte nas provas classificativas dos seus países, de modo a poder participar neste acontecimento único em provas desportivas de pesca ao achigã na Europa.

 Resultados do 3º dia: 2 equipas com 4 exemplares, 6 equipas com 3 exemplares, 12 equipas com 2 exemplares, 25 equipas com 1 exemplar e 47 equipas com zero exemplares. A equipa vencedora do dia com 4 exemplares - 3,220 Kg, não tinha capturado qualquer exemplar nos dois dias anteriores.

Classf.
 3º dia
Equipas Exemplares Peso Classf.
 Final
Balbino Vico e Juan Losa 4 3,220 Kg 23º
Carlos Madeira e Mário Nelson 3 3,175 Kg
Stefano Giraldi e Roberto Rondinini 4 3,140 Kg 10º
Jaime Sacadura e João Sacadura 3 2,985 Kg 14º
David Espax e Dario Cami  3 2,950 Kg
José Pereira e Fernando Valadão 3 2,675 Kg
Lorenzo Vidal e Vicente P. Benavent 2 2,625 Kg
Gary Yamamoto e Beverly Yamamoto 2 2,575 Kg
Stefano Sammarchi e Roberto Dalla 2 2,180 Kg
10º Jorge Hurtado e José Hurtado 2 1,985 Kg 43º

Prestação nacional: O melhor dia para a representação portuguesa com 3 equipas nos 6 primeiros lugares do dia, Carlos Madeira e Mário Nelson a escassas 45 gramas de ganhar o dia, 4 exemplares - 3,175 Kg; Jaime Sacadura e João Sacadura, 3 exemplares - 2,985 Kg e José Pereira e Fernando Valadão com 3 exemplares - 2,675 Kg.

4 equipas com 2 exemplares, 2 equipas com 1 exemplar e 2 equipas com zero exemplares fecharam o 3º dia da representação nacional.

A Classificação Final

Clique na imagem seguinte para ampliar a classificação geral:

 

 
 

 

 

 

 

Jantar e Cerimónia de entrega de Prémios

Os espaços têm sido pequenos para este último evento do Caspe Bass. Cerca de 250 pessoas, entre participantes, representantes das entidades oficiais e patrocinadores, convidados, acompanhantes, repórteres, fotógrafos, etc.

A organização é, mesmo assim, normalmente muito boa, embora o jantar se prolongue por mais de hora e meia.

Mais tempo para o convívio. Sabe bem relaxar depois das atribulações e do ritmo frenético dos últimos 3 dias.

 Os lugares marcados, nos últimos anos têm privilegiado o manter as representações de cada País unidas, embora a proximidade com as restantes mesas não impeça a confraternização ao longo de todo o jantar.

A ementa, baseada em pratos tradicionais, é agradável e farta, com direito a repetição para os mais esfomeados ( a alimentação das equipas nos últimos 3 dias nem sempre é a melhor devido à escassez de tempo ).

Após o jantar, segue-se a cerimónia de entrega de prémios, aos vencedores de cada dia de prova, do maior exemplar de cada de cada dia, do maior exemplar absoluto e dos dez primeiros da classificação geral.

 Aos dez primeiros são ainda entregues ofertas dos patrocinadores do evento (amostras e material de pesca diverso).

Os 3 primeiros classificados recebem ainda um cheque no valor de 800, 1.600 e 3.200 euros, respectivamente.

 Aos vencedores é ainda entregue um bordado da Associação Desportiva Lake Caspe debruado a ouro - símbolo dos vencedores de Caspe.

 

Este ano, o palco e o espaço foram exíguos para participantes e fotógrafos, e o conseguir imagens destes momentos revelou-se uma tarefa difícil.

 

 

Seguem-se fotografias dos 3 primeiros e dos premiados portugueses:

 Carlos Madeira e Mário Nelson - 9º lugar

 Fernando Valadão e José Pereira - 7º lugar

 Alfredo Oliveros e Alejandro Romero - 3º lugar

 Simone Bruccoleri e Carlo Castellani - 2º lugar

 David Espax e Dario Cami - 1º lugar

A consagração dos vencedores termina com a cerimónia da abertura do campanhe. As diferentes representações aproveitam geralmente para efectuar as fotografias da praxe após o que se dá  por encerrado o evento.

Para o ano há mais... Até para o ano!

 

Equipa Nacional - Caspe Bass 2002
(clique na foto para ampliar)

Em cima, da esquerda para a direita: Luís Gil, Orlando Baptista, José Manuel Ferrero (ex-Pres. Ass. D. Lake Caspe Bass), João Lourenço, Manuel Pascoal, João Grosso, Hermínio Rodrigues, Fernando Cruz, João Pardal, Manuel Mariano, Manuel Pedro, Mário Nelson, Paulo Ramos, João Franco e José Miguel Melendez (Pres. da Ass. Desp. Lake Caspe Bass).

Em baixo, da esquerda para a direita: Fernando Valadão, Jaime Sacadura, Pedro Félix, Fernando Pereira, José Pereira, António Casimiro, Carlos Madeira, Jorge Ventura e João Sacadura

De salientar o excelente 7º lugar obtido pela equipa José Pereira e Fernando Valadão e o 9º lugar da equipa Carlos Madeira e Mário Nelson. 6 equipas da APPA conseguiram classificar-se nos 25 primeiros lugares que conferem apuramento automático para a edição de 2003.

Classificação
7º lugar José Pereira e Fernando Valadão 6 exemplares 5,230Kg
9º lugar Carlos Madeira e Mário Nelson 6 exemplares 5,190 Kg
12º lugar Hermínio Rodrigues e Manuel Pascoal 4 exemplares 4,170 Kg
14º lugar Jaime Sacadura e João Sacadura 4 exemplares 3,810 Kg
18º lugar Fernando Pereira e João Pardal 4 exemplares 3,540 Kg
21º lugar João Lourenço e Paulo Ramos 4 exemplares 3, 340 Kg
27º lugar Pedro Félix e Manuel Mariano 3 exemplares 2,695 Kg
44º lugar Orlando Baptista e Luís Gil 2 exemplares 1,800 Kg
49º lugar Manuel Pedro e Jorge Ventura 2 exemplares 1,665 Kg
53º lugar  João Grosso e Fernando Cruz 2 exemplares 1,485 kg
77º lugar Hélder Maia e José Cruz (rep. do Brasil) 0 exemplares

77º lugar João Franco e António Casimiro 0 exemplares

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Texto: Jaime Sacadura
Fotografias: Jaime Sacadura e Manuel Pedro

Caspe Bass 2004   ;   Caspe Bass 2003

 

 
           

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