1.100
Km!! Mais coisa menos coisa dependendo do ponto de partida. Com o barco e o atrelado é duro. Mais de 12
horas de viagem.
Tudo
por auto-estrada que só se paga em Portugal - curiosidades do nosso
País!
Sair
de madrugada muito cedo na antevéspera da prova.
Destino: Embalse de
Mequinenza no rio Ebro, Caspe, ou mais precisamente o camping (Lake Caspe
Camping).
Chegar à noite e montar
a tenda ou pedir a chave da roulote. Alguns alugam quarto ou casa em Caspe,
mas perdem um pouco do convívio e da envolvência da prova que se sente
por todo o camping onde ficam a maioria dos participantes.
Algumas
equipas fazem a viagem de noite! Chegam de madrugada, na véspera da prova
e tentam descansar alguma coisa até ao briefing dessa noite. No
dia seguinte, dez horas de prova, repetindo-se a dose nos dois dias
seguintes. Depois mais um dia de viagem para o regresso. No mínimo é
duro, muito duro! E estar em boa forma física é essencial.
Mas, como diz o ditado, quem corre por gosto não
cansa!
O Camping
Situado
a cerca de 15 km da povoação de Caspe é a base de todo o evento e a
sede da Associação Desportiva Lake Caspe, organizadora do encontro.
Agradável e ordenado satisfaz em termos gerais as necessidades dos
participantes.
Possui espaços para o carro e o barco o que se torna
extremamente cómodo, permitindo retirar o barco após cada dia de pesca e
cuidar do equipamento e das baterias com toda a comodidade e sem pressas.
Não
é própriamente barato, mas torna-se a escolha da maioria dos
participantes, devido à proximidade de todas as componentes do evento.
Rampa de acesso à água, local de "briefing" ao final do dia,
tudo está perto e evita deslocações cansativas.
No
lotes ao lado estão os outros participantes do encontro o que torna o
convívio e a troca de impressões inevitável.
As roulotes são uma alternativa mais cara do que as
tendas, mas já incluem o carro, o barco e a electricidade e possuem um
avançado com mesa e cadeiras, bem como, uma cozinha em separado.
Duas
equipas podem partilhar uma roulote tornando assim a estadia mais barata.
O Convívio
Como
já foi mencionado, a presença da maioria das equipas no mesmo local
permite alguns momentos de convívio mais alargado e caloroso.
Nos
últimos anos, a "armada alentejana" tem sido inexcedível na
criação de um ambiente agradável e envolvente, nomeadamente trazendo
até alguns acompanhantes não pescadores, com tarefas específicas como
um cozinheiro!!
E que belos petiscos saíram das suas mãos, nomeadamente
um cozido à portuguesa de comer e chorar por mais. Há sempre um
bocadinho a mais para dar a provar aos compatriotas e mesmo aos
participantes estrangeiros.
Este
ano uma das equipas (José Pereira e Fernando Valadão) chegou ao ponto de
trazer um acompanhante multidisciplinar - cozinheiro, preparador físico,
massagista, animador e relações públicas que se tornou rápidamente um
sucesso de popularidade - o nosso consócio João Caixeiro.
Muito à custa
de uma excelente caipirinha preparada pelo nosso companheiro Hélder Maia
(representante do Brasil) que distribuída pelo João Caixeiro a toda a gente
que passava, até recebeu encomendas para os dias seguintes. Infelizmente
não atendidas, já que a aguardente de cana era escassa e como sabemos é
um ingrediente indispensável para a confecção da caipirinha.
Ao
final de cada dia de prova trocavam-se histórias do dia de pesca, das
técnicas utilizadas, das capturas com quase a medida, dos siluros e das
lúcio-percas. Algumas equipas trocavam dados tentando preparar o melhor
possível o dia seguinte.
Não
esquecer ainda que no parque estão equipas de dez países e que o
contacto "internacional" é inevitável.
A barreira linguística
não é obstáculo intransponível principalmente com o tradicional desenrascanço dos portugueses. Enfim toda uma envolvência sem paralelo
em qualquer outra prova.
O "Briefing" -
Recepção aos participantes
Nos
últimos anos tem sido feita em grande estilo, nas instalações do Teatro
Municipal de Caspe.
Os
participantes começam por comparecer junto do secretariado da
prova que confirma a chegada das
equipas inscritas e lhes fornece toda a documentação necessária.
Esta
inclui um mapa da barragem, folhetos informativos diversos e o regulamento
da prova traduzido na língua dos participantes (uma inovação este ano).
Enquanto a recepção decorre são projectados vídeos alusivos à pesca
do achigã. No átrio do teatro estão expostos os prémios e os troféus
da prova.
De
realçar as placas para os vencedores da cada dia de prova e os
belíssimos troféus para os maiores exemplares, todos em alabrastro.
Troféus de peso - é o mínimo que se pode dizer.
A
cerimónia recomeça às 22.00 horas com os inevitáveis discursos da
presidente da Câmara de Caspe, do presidente da Federação de Pesca de
Aragão e do presidente da Associação Desportiva Lake Caspe Bass.
Segue-se
a projecção de um vídeo sobre a prova do ano anterior ( o deste ano
inclui uma retrospectiva de todas os encontros já realizados). Nos
últimos anos estes vídeos estão disponíveis para venda.
A
cerimónia continua com a apresentação de alguns dos participantes.
É
dado o devido realce aos convidados estrangeiros (neste ano os profissionais dos
USA, do Canadá e do Japão mereceram destaque), representantes de novos
países (no ano passado, os representantes do Brasil - nossos associados),
os campeões nacionais dos países com Campeonato Nacional, terminando com
os Campeões de Caspe do ano anterior.
Segue-se
a apresentação do conjunto de Juizes da Prova e a apresentação das
principais regras do Regulamento. Por último, procede-se ao sorteio de
saída da prova.
É sorteado o número de uma das equipas que será a
primeira a sair.
Formam-se grupos de 6 equipas com numeração consecutiva
que saem a cada 5 minutos.
Em
cada meia hora sai um conjunto de 30 barcos (uma série). A partida decorre
ao longo de 1h e meia para os 90 barcos.
Todos os barcos pescam 10 horas (este ano devido à ausência de
abastecimento de gasolina no local da prova, a mesma foi encurtada para 9
horas)
Nos
dias seguintes cada série de 30 barcos rodará o seu período de saída
dando a oportunidade a todas as equipas de sair mais cedo num dos dias de
prova ( na 1ª meia hora, na 2ª meia hora ou na 3ª meia hora
alternadamente).
É feita a distribuição da ficha de pesagem que deverá
obrigatoriamente ser apresentada á pesagem - ou entregue à organização
no caso de não haver capturas - na qual consta a hora de início e do
final da prova para cada equipa
Termina
a cerimónia geralmente a uma hora imprópria para desportistas que se
vão levantar de madrugada no dia seguinte (este ano a cerimónia terminou
próximo da meia-noite, as primeiras equipas a partir têm que se levantar
antes das 6 horas da manhã) .
A Barragem
Mar de
Aragão. Nome extremamente apropriado. As zonas mais largas com o vento
forte habitual por estas paragens produzem uma ondulação de respeito. O
"passar a zona do mosteiro antes que seja impossível" é uma
frase repetida pelos participantes e que se interioriza quando a
organização enumera os "locais seguros" onde uma embarcação
em apuros se pode abrigar enquanto aguarda que a organização os venha
recolher - por terra!
Verdade
seja dita que é aqui que se nota a diferença num barco de maior calado e
motorização. A maior segurança e mobilidade que este permite faz a
diferença e torna-se a razão primária para justificar o investimento
feito.
Tirando
os dias de tempestade de Outono (felizmente raros nos últimos anos) o que
temos pela frente? Quase 500 Km de margem, 1.530 milhões de m3 de água,
longitude máxima de 110 km, largura média de 600 metros e profundidades
que atingem os 60 metros. As temperaturas da água rondam os 16º C de
média, com a mínima a atingir 11º C em Fevereiro e a máxima os 26º C
em Agosto.
A zona
delimitada para a prova tem menos de metade da extensão total da
barragem, cerca de 50 km de extensão, com a partida (zona do parque de
campismo) situada a cerca de 1 quarto do limite esquerdo e a cerca de 3
quartos do paredão de Mequinenza.
É
necessário definir um plano de acção, pois mesmo com 10 horas de pesca
é impossível cobrir todas as zonas interessantes. Ainda por cima, tudo
parece excelente para o nosso amigo achigã. A barragem está cheia de
paredes de pedra fabulosas, bicos, enseadas cheias de árvores, todo o
tipo de estruturas e coberturas que o achigã tanto aprecia. Podem-se
perder horas a pescar uma única margem, cada sítio a que se chega é melhor
em aspecto que o anterior.
Existem
alguns marcos famosos e que são o bilhete postal da barragem. O mosteiro
da ilha Magdalena é um desses marcos, muito utilizado como ponto de
referência por todos os pescadores e uma presença constante nessa zona
da barragem pois é visível de quase todas as orientações e enseadas
dessa zona.
Na
zona à esquerda do parque de campismo a água é geralmente mais barrenta
e as rochas são geralmente mais arredondadas. Encontram-se ocasionalmente
zonas de alabastro que ao serem iluminadas pelo sol dão um aspecto irreal
a algumas margens. Enseadas de inclinação suave e fundos arenosos são
aqui mais frequentes. Nalgumas encontram-se ocasionalmente algumas
árvores afundadas.
Para a
direita do parque, passando a zona do mosteiro, a paisagem altera-se
ligeiramente.
Nalgumas
zonas as cordilheiras são imponentes transmitindo a sensação de nos
encontrarmos em qualquer região norte-americana característica de filmes
do far-west. É, no mínimo, uma sensação difícil de igualar em
Portugal e que representa um dos aliciantes de pescar em Caspe. Paisagens
deslumbrantes e imponentes que enriquecem em muito o prazer de pescar
neste local.
Na
zona mais perto do paredão a água é mais transparente e aparentemente a
densidade de achigãs também, embora aparentemente de menor dimensão.
Este aspecto é, no entanto, bastante variável de ano para ano. Por muito
que se conheça esta barragem esta não cessa de nos surpreender.
Por
exemplo, no concurso de 2000, para baixo da zona de Liberola (na
fotografia ao lado) não se conseguia uma única captura, mesmo de peixe
sem medida. Este ano a densidade de peixe sem medida era aí muito
significativa.
Esta
dificuldade em "lêr" a barragem não é exclusiva dos
participantes estrangeiros. Mesmo os pescadores da Associação Desportiva
Lake Caspe Bass que pescam neste local inúmeras vezes ao longo do ano a
sentem e sofrem das mesmas dúvidas e angústias. Basta atentar no que
aconteceu aos vencedores do ano passado, dois excelentes pescadores
pertencentes a esta Associação que capturaram apenas dois exemplares
este ano, tendo gradado no segundo dia de prova.
O Peixe
Um
autêntico "caldo de cultura" experimental este rio Ebro.
Inúmeras introduções ilegais de espécies exóticas ao longo do tempo
fazem deste rio um dos que possuem uma fauna piscícola mais diversificada
de toda a Espanha - siluros, lúcio-percas, achigãs, carpas, barbos,
lúcios, alburnos, perca-sol, rutilos, góbios e até lagostins vermelhos
da louisiana partilham este espaço.
Das
espécies mais significativas do ponto de vista da pesca desportiva na
zona do Embalse de Mequinenza salientam-se a Carpa (a mais numerosa com
cerca de 67% dos efectivos píscícolas), o Achigã (quase 11%), o
Siluro (cerca de 10%) e a Lúcio-Perca (cerca de 10%) - para valores
estimados de cerca de 50 milhões de peixes em 1999.
Não esquecer ainda a
presença do Alburno (Alburnus alburnus)., um ciprinídeo
planctonívoro, de água aberta, com deslocação em cardume e que serve
de presa a quase todas as outras, sendo responsável pelos hábitos
agressivos dessas espécies - carpas incluídas! - contra qualquer amostra
que imite um alburno ou outro pequeno peixe.
A
Carpa (Cyprinus carpio)
Apresenta um comportamento muito
característico nesta barragem. Desloca-se geralmente em cardumes muito
compactos, assumindo uma coloração muito escura. Inicialmente
assemelham-se a grandes massas rochosas, mas a sua deslocação cedo
esclarece o engano. Este comportamento será provavelmente uma
estratégia de protecção contra o seu maior predador - o Siluro.
É
frequente assistir-se a fugas desesperadas do cardume de carpas seguidas
de um espectacular ataque de um enorme siluro. Um espectáculo
impressionante! O peso médio ronda os 4 Kg de peso, com capturas
eventuais de carpas com mais de 10Kg e records de mais de 15 Kg.
O
Achigã (Micropterus salmoides)
É extremamente abundante quando
comparado com as barragens portuguesas. É mesmo considerada a maior
população de achigã da Europa com uma estimativa de mais de 6 milhões
de exemplares. A esta riqueza em achigãs não são estranhas as
disposições legais do Governo de Aragão que especifica no seu Plano
Geral de Pesca para a Barragem de Mequinenza um limite diário de 3
exemplares por pescador/dia com um mínimo de 35 cm desde a boca ao ponto
médio da barbatana caudal. A norma quase geral nesta barragem é no
entanto o Pescar e Libertar no que ao achigã diz respeito.
É
perfeitamente normal capturar mais de 20 achigãs por dia entre as 500g e
o 1Kg. Achigãs com mais de 1Kg parecem mais escassos nos últimos dois
anos, principalmente na época do Encontro International Caspe Bass
disputado em Outubro. Continuam, no entanto, a ser capturados noutras
épocas do ano achigãs até aos 2 Kg em números muito razoáveis. Os
exemplares com mais de 2,5 Kg e 3Kg são mais difíceis de encontrar.
Se
esta ligeira quebra dos últimos anos se deve aos efeitos da expansão do
Siluro e da Lúcio-Perca, da pressão de pesca crescente ou de outras
causas cíclicas ou pontuais, teremos que esperar e investigar para tirar
conclusões.
O
Siluro (Silurus glanis)
Mais abundante na parte superior da
barragem em locais característicos (enseadas baixas e calmas, de fundos
arenosos) encontra-se distribuído por toda a barragem, patrulhando as
zonas de penhascos com fundos rochosos com total à vontade.
Nesta
barragem já foram capturados exemplares com mais de 2 metros e com peso
superior a 60 Kg.
São vulgares as capturas entre os 5 e os 15 Kg com
qualquer tipo de amostra (desde buzzbait a amostras de fundo).Mesmo estes
"pequenos" exemplares possuem uma força descomunal e para os
conseguirmos trazer à superfície é necessária uma utilização
judiciosa do freio do carreto e uma boa dose de treino de halteriofilia.
São sucessivos movimentos de "levantamento de peso", seguidos
de uma arremetida desenfreada de volta para a segurança do fundo por
parte do peixe. Este procedimento repete-se durante longos minutos. Pode
levar mais de vinte minutos a conseguir ver a sua silhueta para exemplares
de maior porte.
Um dos
aspectos mais desagradáveis do contacto com esta espécie é a enorme
quantidade de muco que recobre rápidamente tudo o que entra em contacto
com a sua epiderme desprovida de escamas. Esta situação é tão
desagradável que se tenta por todas as formas recuperar a amostra com o
peixe ainda dentro de água, sob pena de cobrir toda a embarcação de
muco.
A pesca com
isco vivo (carpa) é a mais praticada e existe um enorme fluxo de
pescadores estrangeiros (autênticas romarias vindas de toda a Europa,
principalmente da Alemanha, para pescar esta espécie)
Infelizmente os seus hábitos
predatórios, são provavelmente responsáveis pelo decréscimo verificado nos
últimos anos nas populações do achigã.
A
Lúcio-Perca (Stizostedion lucioperca)
É
uma introdução mais
recente do que a do Siluro (que já vai com 28 anos) mas rápidamente
ocupou o seu nicho ecológico.
Ao pescarmos uma parede rochosa ou um
bico de pedra a maior profundidade (abaixo dos 6 metros) é quase
inevitável capturarmos esta espécie que revela especial preferência
pelas amostras de cor clara (nomeadamente as de cor branca) a que não
será estranha a presença do alburno.
Provida
de uma dentição apreciável, para segurar as presas que não é
geralmente suficiente para provocar cortes, mesmo nos monofilamentos, a
lúcio-perca apresenta uma cor clara e escamas ásperas ao toque.
A
lúcio-perca não se compara ao nosso amigo achigã no que respeita à
capacidade de se defender.
A luta é breve e o peixe esgota-se rápidamente, deixando-se agarrar à
superfície com facilidade. Mesmo os exemplares de maior porte não
oferecem grande resistência (são capturados com frequência exemplares
rondando os 2-3 kg, mas chegam a atingir pesos superiores aos 6 Kg).
Não
é geralmente necessário utilizar uma ferramenta para segurar o peixe
enquanto se desferra, mas, na ao pegar-lhe, atenção aos espinhos da
barbatana dorsal que podem provocar feridas muito desagradáveis.
Esta
espécie é muito apreciada pela sua carne e na zona do Camping é a
única que se pode observar regularmente como refeição dos veraneantes
(com excepção do Siluro, muito apreciado pelos alemães). O achigã é,
por norma, devolvido às águas da barragem.
Em
resumo, uma enorme variedade de espécies que colocam ao pescador de
achigã vários desafios e que implicam obrigatóriamente algumas
alterações de estratégia como forma de se adaptar às condições
locais de forma a conseguir capturar o nosso amigo achigã.
As Embarcações
O
nível das embarcações que comparecem ao encontro tem subido de ano para
ano. Simplesmente impressionante! Se recuarmos até 1997, podemos afirmar
que os barcos de fibra actuais eram raros e que os motores de 25 HP eram a
normalidade.
De
então para cá tem sido um crescendo quer a nível de barcos quer a
nível de motores. Nitros - a maioria (muito por culpa do representante
espanhol da marca sistemáticamente premiado como o melhor dealer da
europa), mas também Procraft, Ranger, Skeeter, entre outros. Não
esquecer o nosso Cabril 470, bem representado e vários barcos de
alumínio, SaraCraft, Tracker entre outros. A média de
motorização rondará os 90 HP.
Este
ano surgiram pela primeira vez motores de 200 HP! 3 nitros 901, dois com
Mercury 200 HP Optimax. Dada a dimensão desta barragem um barco rápido
ajuda bastante, principalmente se o peixe não se encontrar muito
localizado. Pelo menos permite ao participante a deslocação rápida a
outras zonas da barragem na esperança de encontrar aí peixe. Mas nem
sempre salva a grade - que o digam os participantes canadianos que
gradaram nos 3 dias de prova.
Mas os
registos provam que equipas com embarcações "inferiores" em
dimensão e motorização ficam regularmente em bons lugares ou chegam
mesmo a ganhar a prova. São exemplo disso mesmo os irmãos Longas que com
o seu pequeno barco de alumínio com um motor de 25 HP chegam a qualquer
ponto da barragem (não esquecer que são 10! horas de pesca) e ficam
sistematicamente bem classificados (2º lugar no ano passado)
O
conhecimento da barragem, a qualidade dos pescadores e a boa fortuna de
descobrir um padrão de pesca desde o 1º dia revelam-se mais importantes
que o nível das embarcações, uma conclusão consolidada pela boa
prestação deste ano do José Pereira e do Fernando Valadão no seu
"pequeno" (à escala de Caspe) barco.
1º Dia de Prova
1º
Dia de prova. O nervosismo está patente em todos os concorrentes. É
extremamente importante começar bem em Caspe. Um mau primeiro dia
corresponde geralmente a hipotecar qualquer hipótese de atingir os
primeiros lugares. Existe sempre a possibilidade de alcançar os 25
primeiros e assegurar a qualificação directa para o ano seguinte, mas
sem um bom primeiro dia este objectivo é muito mais difícil.
Uma
ambição de todos os participantes consiste em tentar assegurar o limite
em todos os dias de prova.
Atingir este objectivo correspondia geralmente
a assegurar uma boa classificação.
Nos últimos anos fazer o limite em
qualquer dos dias de prova tornou-se quase uma miragem!
Este
ano NENHUMA das equipas em prova (91) conseguiu o limite (6 peixes com
35cm) em qualquer dos dias de prova. E a equipa vencedora capturou apenas
8 peixes (em 18 possíveis) nos 3 dias de prova.
Em
consequência o 1º dia tornou-se uma decepção para 41 equipas que não
trouxeram qualquer exemplar com medida à pesagem. Apenas 1 equipa
conseguiu 4 exemplares e apenas 5 conseguiram 3 exemplares.
Classf.
1º dia
Equipas
Exemplares
Peso
Classf.
Final
1º
David
Dubreuil e Lionel Grou
3
3,585
Kg
16º
2º
Emílio
Rubio e Segundo Vega
3
3,470
Kg
6º
3º
Alfredo
Oliveros e Alejandro Romero
4
3,405
Kg
3º
4º
Marco
Cambi e Paolo Vannini
2
2,610
Kg
13º
5º
Michael
Nau e Manuel Nau
2
2,510
Kg
22º
6º
David
Espax e Darlo Cami
3
2,470
Kg
1º
7º
Simone
Bruccoleri e Carlo Castellani
3
2,435
Kg
2º
8º
Stefano
Defendini e Oscar Bignotti
3
2,425
Kg
33º
9º
Lorenzo
Vidal e Vicente P. Benavent
2
2,090
Kg
5º
10º
Stefano
Giraldi e Roberto Rondinini
2
1,915
Kg
10º
Para a
representação portuguesa este 1º dia foi um autêntico desastre. 7
equipas conseguiram apenas 1 captura e as restantes 5 nenhuma. Carlos
Madeira e e Mário Nelson - 990 g; Orlando Baptista e Luís Gil - 985 g e
Pedro Félix e Manuel Mariano com 970 g eram as 3 melhores equipas
portuguesas.
De
realçar o azar da equipa João Lourenço e Paulo Ramos que com dois
exemplares capturados, viram um dos exemplares ser desclassificado devido
a um erro na sua bitola que por deformação da chapa de alumínio,
produziu um erro de dois milímetros na medição.
2º Dia
A
esperança é a última a morrer. E assim no início do 2º dia de prova a
animação regressa. As tácticas foram revistas e reajustadas. As
conclusões do 1º dia ajudaram a aperfeiçoar o plano de acção para
este novo dia. Desta vez é que vai ser...
Os
resultados é que não acompanharam esta lógica. Senão vejamos: 1 equipa
com 4 exemplares (que tinha gradado no dia anterior), 3 equipas com 3
exemplares, 14 equipas com 2 exemplares, 23 equipas com 1 exemplar e 50
equipas com ZERO exemplares!
Classf.
2º dia
Equipas
Exemplares
Peso
Classif.
1º Dia
Classf.
Final
1º
Francisco
Perez e José Perez
4
3,385
Kg
51º(grd)
19º
2º
Simone
Bruccoleri e Carlo Castellani
3
2,820
Kg
7º
2º
3º
Gary
Yamamoto e Beverly Yamamoto
2
2,650
Kg
51º(grd)
8º
4º
Alex
Palau e Jordi Macia
3
2,590
Kg
51º(grd)
30º
5º
Hermínio
Rodrigues e Manuel Pascoal
2
2,495
Kg
51º(grd)
12º
6º
Miguel
Gil e Ramón Rodriguez
3
2,450
Kg
51º(grd)
20º
7º
Mark
Curry e José Iglesias
2
2,105
Kg
-
15º
8º
Miguel
Sainz e Juan Campos
2
2,090
Kg
-
11º
9º
Stefano
Sammarchi e Roberto Dalla
2
1,925
Kg
-
4º
10º
Federico
Rodriguez e Javier Muñoyerro
2
1,895
Kg
-
24º
Prestação
nacional: Hermínio Rodrigues e Manuel Pascoal com um
excelente 5º lugar no dia - 2 exemplares - 2,495 Kg, José Pereira e
Fernando Valadão - com 2 exemplares - 1,600 Kg e João Lourenço e Paulo
Ramos - 1 exemplar - 1,100 Kg foram as melhores equipas portuguesas. Mais
5 equipas nacionais com 1 exemplar e 3 equipas com zero finalizaram os
resultados deste dia.
3º Dia
Dia
final. O nervosismo já só existe entre quem luta pelos primeiros
lugares. Os restantes tentam assegurar a melhor classificação possível.
Os dez primeiros com lugar a destaque no pódio ou do mal o menos, a meta
que é ficar entre os primeiros 25 que estão automáticamente apurados
para o ano seguinte.
Para
os restantes, o orgulho de participar entre 91 excelentes equipas, das
melhores europeias e a esperança de conseguir o apuramento no ano
seguinte nas provas classificativas dos seus países, de modo a poder
participar neste acontecimento único em provas desportivas de pesca ao
achigã na Europa.
Resultados
do 3º dia: 2 equipas com 4 exemplares, 6 equipas com 3 exemplares, 12
equipas com 2 exemplares, 25 equipas com 1 exemplar e 47 equipas com zero
exemplares. A equipa vencedora do dia com 4 exemplares - 3,220 Kg, não
tinha capturado qualquer exemplar nos dois dias anteriores.
Classf.
3º dia
Equipas
Exemplares
Peso
Classf.
Final
1º
Balbino
Vico e Juan Losa
4
3,220
Kg
23º
2º
Carlos
Madeira e Mário Nelson
3
3,175
Kg
9º
3º
Stefano
Giraldi e Roberto Rondinini
4
3,140
Kg
10º
4º
Jaime
Sacadura e João Sacadura
3
2,985
Kg
14º
5º
David
Espax e Dario Cami
3
2,950
Kg
1º
6º
José
Pereira e Fernando Valadão
3
2,675
Kg
7º
7º
Lorenzo
Vidal e Vicente P. Benavent
2
2,625
Kg
5º
8º
Gary
Yamamoto e Beverly Yamamoto
2
2,575
Kg
8º
9º
Stefano
Sammarchi e Roberto Dalla
2
2,180
Kg
4º
10º
Jorge
Hurtado e José Hurtado
2
1,985
Kg
43º
Prestação
nacional: O melhor dia para a representação portuguesa com 3
equipas nos 6 primeiros lugares do dia, Carlos Madeira e Mário Nelson a
escassas 45 gramas de ganhar o dia, 4 exemplares - 3,175 Kg; Jaime Sacadura
e João Sacadura, 3 exemplares - 2,985 Kg e José Pereira e Fernando
Valadão com 3 exemplares - 2,675 Kg.
4
equipas com 2 exemplares, 2 equipas com 1 exemplar e 2 equipas com zero
exemplares fecharam o 3º dia da representação nacional.
A Classificação Final
Clique
na imagem seguinte para ampliar a classificação geral:
Jantar e Cerimónia de
entrega de Prémios
Os
espaços têm sido pequenos para este último evento do Caspe Bass. Cerca
de 250 pessoas, entre participantes, representantes das entidades oficiais
e patrocinadores, convidados, acompanhantes, repórteres, fotógrafos,
etc.
A
organização é, mesmo assim, normalmente muito boa, embora o jantar se
prolongue por mais de hora e meia.
Mais tempo para o convívio. Sabe bem
relaxar depois das atribulações e do ritmo frenético dos últimos 3
dias.
Os lugares
marcados, nos últimos anos têm privilegiado o manter as representações
de cada País unidas, embora a proximidade com as restantes
mesas não impeça a confraternização ao longo de todo o jantar.
A
ementa, baseada em pratos tradicionais, é agradável e farta, com direito
a repetição para os mais esfomeados ( a alimentação das equipas nos
últimos 3 dias nem sempre é a melhor devido à escassez de tempo ).
Após o jantar,
segue-se a cerimónia de entrega de prémios, aos vencedores de
cada dia de prova, do maior exemplar de cada de cada dia,
do maior exemplar absoluto e dos dez primeiros da classificação geral.
Aos
dez primeiros são ainda entregues ofertas dos patrocinadores do evento
(amostras e material de pesca diverso).
Os 3
primeiros classificados recebem ainda um cheque no valor de 800, 1.600 e
3.200 euros, respectivamente.
Aos
vencedores é ainda entregue um bordado da Associação Desportiva Lake
Caspe debruado a ouro - símbolo dos vencedores de Caspe.
Este
ano, o palco e o espaço foram exíguos para participantes e fotógrafos,
e o conseguir imagens destes momentos revelou-se uma tarefa difícil.
Seguem-se
fotografias dos 3 primeiros e dos premiados portugueses:
Carlos
Madeira e Mário Nelson - 9º lugar
Fernando
Valadão e José Pereira - 7º lugar
Alfredo
Oliveros e Alejandro Romero - 3º lugar
Simone
Bruccoleri e Carlo Castellani - 2º lugar
David Espax
e Dario Cami - 1º lugar
A
consagração dos vencedores termina com a cerimónia da abertura do
campanhe. As diferentes representações aproveitam geralmente para
efectuar as fotografias da praxe após o que se dá por encerrado o
evento.
Para o
ano há mais... Até para o ano!
Equipa Nacional - Caspe Bass 2002
(clique na foto para ampliar)
Em
cima, da esquerda para a direita: Luís Gil, Orlando Baptista,
José Manuel Ferrero (ex-Pres. Ass. D. Lake Caspe Bass), João Lourenço,
Manuel Pascoal, João Grosso, Hermínio Rodrigues, Fernando Cruz, João
Pardal, Manuel Mariano, Manuel Pedro, Mário Nelson, Paulo Ramos, João
Franco e José Miguel Melendez (Pres. da Ass. Desp. Lake Caspe Bass).
Em
baixo, da esquerda para a direita: Fernando Valadão, Jaime
Sacadura, Pedro Félix, Fernando Pereira, José Pereira, António Casimiro,
Carlos Madeira, Jorge Ventura e João Sacadura
De
salientar o excelente 7º lugar obtido pela equipa José Pereira e
Fernando Valadão e o 9º lugar da equipa Carlos Madeira e Mário Nelson.
6 equipas da APPA conseguiram classificar-se nos 25 primeiros lugares que
conferem apuramento automático para a edição de 2003.
Classificação
7º
lugar
José
Pereira e Fernando Valadão
6
exemplares
5,230Kg
9º
lugar
Carlos
Madeira e Mário Nelson
6
exemplares
5,190
Kg
12º
lugar
Hermínio
Rodrigues e Manuel Pascoal
4
exemplares
4,170
Kg
14º
lugar
Jaime
Sacadura e João Sacadura
4
exemplares
3,810
Kg
18º
lugar
Fernando
Pereira e João Pardal
4
exemplares
3,540
Kg
21º
lugar
João
Lourenço e Paulo Ramos
4
exemplares
3,
340 Kg
27º
lugar
Pedro
Félix e Manuel Mariano
3
exemplares
2,695
Kg
44º
lugar
Orlando
Baptista e Luís Gil
2
exemplares
1,800
Kg
49º
lugar
Manuel
Pedro e Jorge Ventura
2
exemplares
1,665
Kg
53º
lugar
João
Grosso e Fernando Cruz
2
exemplares
1,485
kg
77º
lugar
Hélder
Maia e José Cruz (rep. do Brasil)
0
exemplares
-
77º
lugar
João
Franco e António Casimiro
0
exemplares
-
Texto:
Jaime Sacadura
Fotografias: Jaime Sacadura e Manuel Pedro