Caspe Bass 2003. Mais um ano de participação nesta prestigiada prova
internacional disputada na Barragem de Mequinenza.
Este ano um factor
aliciante adicional. Um dos meus ídolos da pesca de achigã, um dos
melhores pescadores profissionais a nível mundial, o vencedor do
Clássico de 2001, Kevin Van Dam, iria estar presente no evento.
Aliás, essa é mais uma das atracções da prova de Caspe, a presença
assídua de grandes pescadores profissionais.
É uma sensação estranha,
mas agradável. Uma pessoa que conhecemos exclusivamente a partir de
momentos de vídeo, em cassetes técnicas ou em reportagens do
Clássico da Bassmaster, a disputar a mesma prova em que nos
encontramos.
Ocasionalmente temos uma
desilusão, o ídolo que pensamos conhecer através das imagens,
revela-se em pessoa algo muito diferente. Pois não houve desilusão
com Kevin Van Dam. A surpresa foi verificar que é tudo o que
transparece em vídeo. Uma pessoa amável, sempre disponível para
todas as solicitações e foram muitas e possuidor de um fino sentido
de humor que tivemos oportunidade de constatar em mais de uma
conversa.
A habitual cerimónia de
abertura no Teatro Goya, pareceu este ano um pouco menos cuidada, o
vídeo-resumo da prova do ano anterior, excessivamente resumido e de
um modo geral, a sensação foi menos rica que em anos anteriores,
embora compensada com as palavras amáveis de Kevin Van Dam que
considerou ser um orgulho participar numa prova onde se encontravam
os melhores pescadores europeus. Entre os participantes contavam-se
com efeito 91 equipas, 25 apuradas no ano anterior, 20 convidados
pela organização e patrocinadores, entre eles 4 profissionais
americanos, Kevin Van Dam, Mark Curry, Gary Yamamoto e Gerard
Swindle, 1 profissional japonês, Seiji Kato e 1 profissional do
Canadá Izumi Wayne, os apurados nos Campeonatos Nacionais e nos
Campeonatos dos Clubes de vários países (Espanha, Portugal, Itália,
França) e algumas equipas alemãs convidadas, num total de 8 países
representados.
Primeiro dia de prova.
Novas dimensões do peixe. 30 cm até ao final da barbatana caudal,
limite de 5 exemplares. Uma inovação indispensável para evitar a
existência de mais de metade de equipas com "grades" que se vinha a
verificar nos últimos anos em que a média era de 35 cm no vértice da
caudal.
A alteração da medida
surtiu efeito, pois no final do 1º dia, apenas uma única equipa
"gradou". 35 equipas fizeram o limite de 5 exemplares. Em primeiro
lugar, a inevitável dupla Kevin Van Dam e Mark Curry com 5,835 Kg,
seguidos a 45 gramas por Gerad Swindle e Emílio Camarasa. Em 3º e 4º
lugar 2 equipas espanholas. Num surpreendente 5º lugar com 5,135 Kg
(pelo menos para nós, dada a ausência de treinos), Jaime Sacadura e
João Sacadura a 700 gramas do vencedor do dia. A 2ª melhor equipa
portuguesa José Pereira e Fernando Valadão em 21º com 4,325 Kg em 4
exemplares, mas com o melhor exemplar do dia com mais de 2Kg,
seguidos de Fernando Pereira e João Pardal em 24º lugar com 4,185 Kg
em 5 exemplares.
O 1º dia não correu nada
bem à maioria da representação portuguesa com 5 equipas a capturarem
apenas 1 exemplar. No final do dia, 8 equipas abaixo do 50º lugar.
No total 313 capturas e
270 Kg davam pouco mais de 3 peixes por equipa de média ( 865 gramas
por exemplar)
O 2º dia de prova foi
arrasador. A actividade diminuiu substancialmente. Como exemplo, a
nossa equipa capturou o 1º peixe após 6 horas! de prova, conseguindo
ainda o limite de 5 peixes (com apenas 3,400Kg o que nos deu o 22º
lugar no dia), mas arrancado a ferros e descemos para 13º lugar na
geral.
Vencedor deste 2º dia, a
equipa do profissional americano Gerald Swindle e Emílio Camarasa
com uns espantosos 6,575 Kg em 5 exemplares, a melhor pesca de todo
o Torneio, seguidos dos irmãos Sérgio e Santiago Longas com 5,720 Kg.
Em 3º lugar no dia, a equipa do profissional japonês Seiji Kato e
Toshiro Ono com 5,645 Kg.
Os 3 melhores
portugueses neste segundo dia foram Carlos Madeira e Ângelo Almeida
em 7º lugar com 4,635 Kg, Mário Fonseca e Luís Palma em 9º lugar com
4,535 Kg e Jorge Carreira e Mário Carvalho em 15º lugar com 4,145 Kg.
A equipa Jorge Carvalho e André Fidalgo embora capturando apenas 2
exemplares conseguiu o maior exemplar do 2º dia capturado por Jorge
Carvalho com mais de 2 Kg. Os restantes portugueses a meio da tabela
e 6 equipas abaixo do 60º lugar não davam grandes esperanças de boas
classificações no final do Torneio. No final do dia 260 exemplares
capturados num total de 209 kg de achigãs e 11 equipas à "grade"
mostravam a maior dificuldade deste 2º dia.
3º dia de prova e a
razão porque esta barragem é conhecida por Mar de Aragão. Um
temporal de vento fortíssimo que produziu vagas com mais de metro e
meio em alguns pontos da barragem tornou a acção de pesca e a
navegação muito difícil. Os pontos protegidos e mais produtivos da
barragem cedo se encheram de barcos e o número de "grades" no final
do dia aumentou substancialmente (20 equipas "gradaram" e 12
capturaram apenas 1 exemplar).
Vencedores do 3º
dia, Seiji Kato e Toshiro Ono com 5,735 Kg em 5 exemplares, seguidos
de Gary Yamamoto e Beverly Yamamoto com 5,380 Kg e Kevin Van Dam e
Mark Curry com 5,275 Kg – 3 equipas de pescadores profissionais
mostrando claramente que a capacidade de adaptação a condições
desfavoráveis é uma das condições essenciais para o sucesso neste
tipo de competições.
Para as equipas locais
também não foi um dia mau, tendo o conhecimento da barragem sido uma
vantagem apreciável nestas condições.
As equipas portuguesas
não se adaptaram muito bem e a melhor dupla aparece apenas na 26ª
posição – Carlos Madeira e Ângelo Almeida com 2,475 Kg em apenas 2
exemplares. Mostrando uma boa regularidade com 12 exemplares
capturados e um total de 10,975 Kg conseguiram um meritório 13º
lugar na classificação geral e foram a melhor equipa portuguesa.
João Lourenço e Luís
Nabais em 27º lugar no 3º dia com 2,440 Kg em 3 exemplares e Jorge
Carvalho e André Fidalgo em 29º lugar com 2,280 Kg em 2 exemplares
completaram o trio de melhores equipas portuguesas neste dia.
As dificuldades deste
último dia afectaram muitas equipas. Como exemplo, Gerald Swindle o
vencedor do 2º dia, só conseguiu 2 exemplares com 1,040 Kg
classificando-se na 55ª posição neste 3º dia.
No final do dia, os
resultados globais revelavam a dificuldade sentida por quase todas
as equipas com um total de 178 achigãs capturados que pesaram cerca
de 150 Kg. Para infelicidade de José Pereira, Sérgio Longas
conseguiu neste último dia um peixe com mais 10 gramas assegurando
assim o maior exemplar do Torneio.
Em termos de
classificação geral final, 3 equipas profissionais nos 3 primeiros
lugares: 1º - Kevin Van Dam e Mark Curry – 15 exemplares com 15,300
Kg; 2º - Seiji Kato e Toshiro Ono – 15 exemplares com 14410 Kg; 3º
lugar – Gerald Swindle e Emílio Camarasa – 12 exemplares com 13, 405
Kg.
Os vencedores
apostaram em técnicas e amostras rápidas, procurando o peixe mais
activo, e explorarando toda a barragem no 1º dia, gastando mais de
100 litros de combustível e esgotando 3 bateriais do motor eléctrico
em cada dia, tal a velocidade da sua acção de pesca. Nos dias
seguintes concentraram-se nos locais que consideraram mais
produtivos, mas mantendo uma acção de pesca tão rápida que espantou
quem teve o privilégio de os ver pescar. A velocidade com que após o
motor de explosão parar, se libertavam do colete, baixavam o motor
eléctrico e efectuavam o 1º lançamento media-se em poucos segundos.
Lado a lado, ambos na plataforma da frente, revelavam uma
coordenação impressionante, principalmente em pescadores habituados
a pescar individualmente. Após pescarem 50 metros de margem, um bico
ou uma pequena enseada, novo arranque para outro "ponto quente"
200-300 metros, mais à frente e tudo se repetia. Isto ao longo de 10
horas de pesca. Não está ao alcance de todos.
Em 4º lugar – César
Pecelín (o campeão de Espanha) e Rúben Moya – 14 exemplares com
13,395 Kg; 5º lugar – Esteve Guardiã e António Collado (os
vencedores do Caspe Bass 2001) – 15 exemplares com 12,945 Kg; 6º
lugar – Gary Yamamoto e Beverly Yamamoto – 14 exemplares com 12,470
Kg: 7º lugar – Sérgio Lóngas e Santiago Longas – 12 exemplares com
12,250 Kg; 8º lugar – David Espax e Dário Cami (os vencedores do
Caspe Bass 2002) – 14 exemplares com 12,210 Kg; 9º lugar – Victor
Otal e Koletas Asín – 15 exemplares com 11,870 Kg e em 10º lugar –
Javier Oliván e Jesus Liso – 14 exemplares com 11,850 Kg.
A 2ª melhor equipa
portuguesa na geral, Jaime Sacadura e João Sacadura em 21º lugar,
com 9,570 Kg em 12 exemplares, asseguraram um lugar nos 25 primeiros
e o apuramento directo para o próximo ano junto com a dupla Carlos
Madeira e Ângelo Almeida. Como curiosidade deste ano a atribuição de
troféus (placas) e duas canas, a cada equipa classificada nos 25
primeiros lugares.
As restantes equipas
portuguesas conseguiram a seguinte classificação na geral:
28º lugar - Jorge Carvalho e André Fidalgo - 5 (3,965 Kg) + 2 (2,540
Kg) + 2 (2,280 Kg) - total = 9 ex. (8,785 Kg) Esta equipa tem ainda
possibilidades de repescagem para o apuramento directo.
43º lugar - Rui Carreira e Mário Carvalho - 2 (1,700 Kg) + 5 (4,145
Kg) + 2 (1,255 Kg) - total = 9 ex. (7,100 Kg)
48º lugar - Gualdino Angelino e Paulo Ramos - 1 (1,240 Kg) + 4
(3,170 kg) + 2 (2,250 Kg) - total = 7 ex. (6,660 Kg)
51º lugar - José Pereira e Fernando Valadão - 4 (4,325 kg) + 2
(1,265 - Penaliz.) + 1 (829 gr) - total = 7 ex. (6,410 Kg)
57º lugar - Fernando Pereira e João Pardal - 5 (4,185 Kg) + 0 (0 gr)
+ 3 (1,815 Kg) - total = 8 (6 Kg)
59º lugar - Pedro Félix e Manuel Mariano - 1 (905 gr) + 4 (3,195 Kg)
+ 1 (1,700 Kg) - total = 6 (5,800 Kg)
61º lugar - Mário Fonseca e Luís Palma - 1 (840 gr) + 5 (4,535 Kg) +
0 (0 gr) - total = 6 (5,375 Kg)
64º lugar - João Lourenço e Luís Nabais - 4 (2,720 Kg) + 0 (0 gr) +
3 (2,440 Kg) - total = 7 (5,160 Kg)
79º lugar - Hermínio Rodrigues e Manuel Pascoal - 4 (1,825 Kg) + 2
(895 gr) + 0 (0 gr) - total = 6 (2,720 Kg)
81º lugar - João Grosso e Fernando Silva - 1 (770 gr) + 1 (725 gr) +
1 (895 gr) - total = 3 (2,390 Kg)
83º lugar - Manuel Pedro e Jorge Ventura - 1 (1,070 Kg) + 1 (630 Kg)
+ 0 (0 gr) - total = 2 (1,700 Kg)
Como se comprova um ano em que as coisas não foram nada fáceis, só
4!! equipas (em 90) conseguiram os 15 peixes nos 3 dias de prova o
que diz muito e os resultados das equipas portuguesas não foram os
esperados, com apenas 2 equipas nos 25 primeiros, bem como os
italianos ( 14º e 15º ) o que diminuirá a representação destes dois
países no próximo ano para cerca de 9-10 equipas, com a
possibilidade de eventuais repescagens por não comparência de
concorrentes mais bem classificados na tabela.
Por comparação a representação portuguesa em 2002 apurou
directamente 6 equipas, com duas nos 10 primeiros.
De realçar novamente os maiores exemplares do 1º e do 2º dia por
José Pereira e Jorge Carvalho respectivamente, com dois peixes com
mais de 2 kilos, o primeiro a escassos 10 gramas de ser o maior
exemplar da prova.
No cômputo geral, mas um
ano numa prova emblemática do panorama de pesca europeu.
Até para o ano no Caspe Bass 2004.