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O
achigã representado na fotografia, capturado por João Costa,
apresenta umas lesões de formato oval ou arredondado, de cor
esbranquiçada/leitosa e que surgem mais
frequentemente na cabeça e nas laterais do corpo, bem como, nas
barbatanas, formando ocasionalmente agrupamentos semelhantes a
cachos de uva.
Através de um diagnóstico
puramente visual, o achigã parece apresentar uma doença muito comum
provocada pelo vírus Lymphocystis.
Esta doença que afecta as células da pele e das barbatanas é a mais
antiga e talvez a mais bem conhecida das doenças virais nos peixes.
O vírus infecta células do tecido conectivo abaixo da epiderme e
estas aparecem hipertrofiadas (atingindo um tamanho 20 a 100 vezes
maior que as células normais). As lesões deste vírus diferenciam-se
de outras doenças semelhantes pela cor, formações em forma de cachos
de uva e pela forma e tamanho mais irregulares.
Geralmente
é uma doença crónica benigna que raramente provoca anormalidades
comportamentais ou mortalidade. Se os tumores atingirem grandes
dimensões na região da boca isso pode prejudicar a alimentação do
espécime afectado. São frequentes situações de perda de peso e de
grandes áreas lesionadas na pele e nas barbatanas em espécimes muito
atacados.
Nalguns casos, a doença pode chegar a atingir 100% de taxa de
infecção em populações muito numerosas e compactas. As estirpes do
vírus que são infecciosas para uma espécie de peixes, podem não o
ser para outra.
Em populações naturais, o vírus transmite-se presumivelmente aos
peixes saudáveis quando a rotura das células infectadas liberta
vírus na água.
A susceptibilidade para a infecção é maior se existirem zonas de
escamas removidas ou levantadas e barbatanas danificadas. As feridas
sofridas no período de desova podem também contribuir para uma maior
incidência da doença.
A possibilidade de contrair a doença pode ser influenciada pela
espécie hospedeira, pelas condições ambientais, pela poluição, por
feridas ou pelo número de eventuais parasitas internos.
A poluição pode contribuir para uma maior incidência da doença
porque afecta adversamente o sistema imunitário e endócrino do peixe
o que eventualmente é responsável pela activação de vírus latentes
que produzem os tumores na pele.

"Lúcio-Perca Americana - Walleye - com um caso grave de Lymphocystis"
Os estudos efectuados mostram que a incubação do vírus é mais rápida
em águas mais quentes, podendo variar de 6 semanas em águas de 10 a
15ºC, até 5 a 12 dias em águas de 20 a 25ºC.
A doença ocorre em todos os tamanhos e idades dos peixes, mas uma
maior incidência é frequente em espécimes jovens, provavelmente
devido a uma falta de imunidade adquirida e a uma maior densidade
populacional.
Em resumo, uma doença de aspecto visual inestético que pode surgir
num achigã aparentemente saudável e forte e que felizmente é benigna
, na maior parte dos casos.
Bibliografia sobre a doença:
Bowser, P.R., G.A. Wooster, and R.G. Getchell, 1999. Transmission of
walleye dermal sarcoma and lymphocystis via waterborne exposure. J.
Aqua. An. Health 11: 158-161.
Clifford, T. J., and R. L. Applegate. 1970.
Lymphocystis disease in tagged and untagged walleyes in a South
Dakota lake. Prog. Fish-Cul. 32: 177.
Robin, J., and L. Bertholimue. 1981. Purification of
lymphocystis disease virus (LDV) grown intissue culture, evidences
for the presence of two types of viral particles. Rev. Can. Biol.40:
323-329.
Wolf, K. 1962. Experimental propagation of
lymphocystis disease of fishes. Virology 18: 249-256.
Texto- Jaime Sacadura
Fotografias Achigã - João Costa
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