A luta do achigã
não é normalmente muito prolongada, pelo que a acumulação de ácido
láctico nos músculos, não é geralmente um problema grave no momento
da libertação quando comparado com o que sucede com outras espécies
de peixe. Mesmo assim, a utilização de linhas muito finas, embora
seja mais "desportiva" e por vezes quase essencial, pode prolongar
bastante a luta e eventualmente criar níveis mais elevados do que é
normal.
Não são, mesmo assim, um problema, se o peixe for libertado
imediatamente. É de evitar, nesta situação, realizar uma sessão
fotográfica prolongada, imediatamente a seguir à captura.
É sempre
preferível segurar o achigã pela mandíbula inferior para o retirar
da água no momento da captura. Sempre que possível, a utilização da
rede deve ser evitada, pois algumas malhas são muito agressivas e
acabam sempre por remover algum do muco protector do peixe).
Segurar sempre o
peixe na vertical evitando dobrar-lhe a mandíbula inferior que pode
mesmo chegar a ceder sobre o seu próprio peso. Nunca suspender um
achigã na horizontal, segurando-lhe pela mandíbula inferior com uma
só mão.
Para fotografar
um exemplar de maior porte na horizontal, molhe as mãos e
complemente a pega na mandíbula inferior com o apoio do corpo na
região do pedúnculo caudal.
Pese e fotografe
o peixe, o mais rápido possível. Em alternativa, coloque-o no
viveiro oxigenado e deixe-o recuperar, fazendo a pesagem e as
fotografias depois.
A pesagem deve
ser efectuada com algumas precauções. A queda no solo de um exemplar
pode provocar-lhe lesões graves nos orgãos internos. Pode substituir
o gancho da balança por um clip de mola (como os utilizados nas
correntes) que permite evitar esse tipo de situações e efectuar a
pesagem com segurança. É preferível um pequeno furo na cartilagem do
que o risco de queda quando um grande exemplar se debate durante a
pesagem
Liberte os
exemplares com cuidado e não os atire à água de alturas elevadas
pela mesma razão.
Remoção de anzóis
Se não for
possível remover facilmente um anzol que se alojou profundamente,
corte-o com o auxílio de um ferramenta apropriada. Existe no mercado
americano (infelizmente ainda não se comercializa no nosso país),
uma ferramenta especialmente concebida para cortar a ponta do anzol,
o D-Barb, que permite a remoção do anzol sem danos para o peixe -
www.dbarb.com ).
Com o
auxílio de pinças longas (como as utilizadas em cirurgia) ou de um
alicate de pontas longas é por vezes possível, virar o anzol ao
contrário, cortando depois o fio e retirando o anzol sem que a
barbela provoque problemas. Achatar a barbela é também uma boa
alternativa, mas só deve ser tentada com a ferramenta apropriada (um
alicate de pontas longas).
A extracção
do anzol deverá ser feita, sempre que possível pela boca. Se tal não
for possível, só nos exemplares de maior porte deverá ser feita pela
abertura do opérculo (por esta ser maior, e por isso mais fácil), e
mesmo assim, com bastante cuidado e nunca entre os arcos branquiais.
Caso se tenha de fazer a remoção através da fenda opercular,
dever-se-á ter o cuidado de remover o anzol entre o osso opercular
(opérculo, propriamente dito) e o primeiro arco branquial. Nessa
situação, o nosso contacto deverá ser minimizado, devendo ou
podendo-se apenas tocar nas branquiespinhas ou dentes branquiais e
nunca, ou o mínimo possível, nos filamentos das brânquias que são
zonas extremamente sensíveis.
O corte
acidental de um vaso branquial pode provocar uma hemorragia muito
grave que acaba sempre por ser fatal.
Se a remoção do
anzol não puder ser feita sem danos irreversíveis para o peixe, mais
vale cortar o fio e libertá-lo. Os anzóis têm tendência a enferrujar
rapidamente e acabam por cair por si. Na maioria dos casos, a sua
presença não impede o peixe de se alimentar, como comprovam
capturas de achigãs com outras amostras na boca. A alternativa,
forçar a saída do anzol, munido ainda da barbela, pode provocar danos irreparáveis e o
custo de um anzol
não vale a vida de um achigã.
Bexiga
gasosa/natatória e captura em profundidade
A captura de
achigãs abaixo dos 10 metros de profundidade é desaconselhada. Nem
sempre é possível convencer os peixes a "colaborar" e a subir
lentamente quando capturados, O resultado é geralmente uma
descompressão rápida do gás contido na bexiga gasosa que em casos
extremos, pode mesmo comprimir ao extremo os orgãos da cavidade
abdominal provocando a sua saída pela boca. Simultaneamente, os
vasos sanguíneos são comprimidos pela expansão da bexiga o que
resulta na morte do animal se for mantido à pressão atmosférica da
superfície.
Ocasionalmente as
cavidades oculares também sofrem descompressão provocando exoftalmia
(ver fotografias abaixo).
(fotografia da direita cedida por José Maia Marreiros)
Se um exemplar
for solto imediatamente após a captura, pode regressar para a
profundidade onde se encontrava e o gás na bexiga gasosa será
comprimido. Quando é necessário manter o peixe no viveiro (numa
situação de competição, por exemplo), observamos que o achigã fica
de ventre para cima. Se a flutuabilidade for muito pronunciada, o
peixe pode ficar bastante desorientado e com dificuldades
respiratórias devido à dificuldade de circulação sanguínea. Nesta situação pode proceder-se à perfuração da
bexiga gasosa com o auxílio de uma agulha hipodérmica:
1- Definir uma
linha entre o centro da barbatana dorsal e o início da barbatana
anal
2- Escolher nessa linha, uma zona abaixo da linha lateral (ou seja,
abaixo da linha média do peixe)
3- Levantar uma
escama, nessa zona, com o auxílio da agulha e perfurar com um ângulo
de cerca de 45º (evite a zona das vértebras e a zona ventral - ver
imagem acima)
4- Com a agulha introduzida, comprimir ligeiramente a zona ventral.
O gás sai pela agulha e o inchaço ventral diminui.
Com experiência,
é possível efectuar o procedimento com o peixe mergulhado, evitando
a remoção do muco, e permitindo controlar visualmente a saída do gás
através da formação de bolhas)
Um achigã
esgotado, com a bexiga gasosa muito inchada, flutua à superfície,
onde a sua sobrevivência é muito difícil (devido ao sol e às aves
aquáticas) e à dificuldade respiratória, pelo que nessa situação se recomenda o procedimento
descrito anteriormente. Relembra-se que o ideal é soltar o exemplar
imediatamente após a captura pois, neste caso, a recompressão
acontece naturalmente.
Em situações de
pesca lúdica é sempre preferível evitar capturar achigãs a
profundidades superiores aos 10 metros para evitar este tipo de
procedimento, sempre invasivo, e que pode eventualmente provocar
problemas ao achigã.
Utilização de
Correntes e Viveiros em situações de Competição
Com a inclusão
de viveiros oxigenados em todos os modelos de embarcações concebidas
especialmente para a pesca do achigã, a utilização de correntes
deixou de ser necessária.
Na pesca de
margem não se justifica a sua utilização em peixes que vão ser
libertados.
Leve consigo a sua máquina fotográfica e a balança (ou na sua
ausência, uma fita métrica) e liberte o exemplar capturado assim que
possível.
Arrastar vários
exemplares numa corrente, ao longo das margens, não só é pouco
prático, como não contribui em nada para a sua libertação em boas
condições.
De notar que em
viveiros menos bem isolados ou mal oxigenados, as altas temperaturas
de Verão podem dificultar a manutenção dos achigãs capturados
em boas condições durante as competições realizadas nesta época do
ano.
Convém não
esquecer que a temperatura da água à superfície é bastante mais
elevada do que alguns metros abaixo, onde o peixe normalmente se
encontra e, consequentemente, a taxa de oxigénio dissolvido é menor
nas águas superficiais mais quentes.
Outro factor a
considerar tem a ver com a qualidade da água e os seus parâmetros
químicos, nomeadamente o seu pH. Em algumas enseadas, a temperatura
superficial mais elevada e a enorme densidade de algas filamentosas,
com muitas delas já em decomposição (cor castanho escuro), pode
indicar zonas de pH ácido e com deficiente oxigenação que ao serem
introduzidas no viveiro pela bomba podem prejudicar o bom estado das
nossas capturas.
Nesta
situação e nos viveiros que dispõem desta opção é conveniente fechar
a entrada de água - opção Recirculação - colocando sempre a
bomba em manual para que esta não pare.
Assim se evita a
entrada de água menos adequada no viveiro, mantendo-se o nível de
oxigenação adequado através da bomba. Em zonas mais "limpas"
regressar ao modo de funcionamento normal, mas mantendo a opção
Manual ou a temporização mais rápida disponível. Usualmente os
melhores fabricantes de barcos para o achigã utilizam os sistemas
para viveiros da Flow-Rite:
http://www.flow-rite.com/marine/systems.html