1- Uma das
características mais visíveis do achigã é a sua enorme boca. A sua
capacidade de distensão e a força de aspiração que pode aplicar
permite-lhe capturar uma enorme variedade de presas. O maxilar
estende-se para além do olho. Estas duas características permitem
distingui-lo facilmente de outra espécie americana, o Micropterus
dolomieui Lacépede, 1802, o conhecido Smallmouth (boca pequena),
mais adaptável a águas mais frias e conhecido pela energia com que
se defende quando capturado.
2- A coloração
do corpo é esverdeada no dorso, verde prateado a amarelo/esverdeada
nos flancos e esbranquiçada/leitosa no ventre.
Apresenta uma banda constituída por manchas negras desde a base do
opérculo até à base da barbatana caudal. A primeira metade da
barbatana dorsal
possui 10 espinhos enquanto que a segunda metade possui 12 a 14 raios moles. O
corpo apresenta 30 a 32 vértebras. As barbatanas pélvicas não se
encontram unidas por uma membrana.
3- A
barbatana anal possui 3 espinhos e 12 a 14 raios moles. A barbatana caudal
é arredondada e apresenta 17 raios
moles.
As fêmeas vivem
mais tempo que os machos e com 2-3 anos de idade são normalmente
maiores. Com 5 anos de idade podem atingir quase o dobro do peso dos
machos. Em exemplares com dimensão superior a 30 cm é possível
observar a papila urogenital para tentar determinar o sexo. Esta
apresenta uma forma arredondada no macho e mais alongada na fêmea. O
tamanho e peso máximos são normalmente atingidos em condições ideais
a partir dos 10 anos de idade. A esperança de vida média ronda
os 14-16 anos.
Subespécies:
Micropterus salmoides salmoides
- Esta subespécie geralmente não ultrapassa os 5 Kg de peso. O
número de escamas na zona da linha lateral geralmente não ultrapassa
as 65 (59-65)
Micropterus
salmoides floridanus - Esta subespécie apresenta um crescimento
muito mais rápido podendo atingir quase os 100 cm de comprimento e
os 10 Kg de peso. O número de escamas na zona da linha lateral
ultrapassa geralmente as 69 (69-73)
Estas
subespécies podem cruzar-se produzindo híbridos que aliam o tamanho
e peso dos floridanus à maior agressividade do salmoides.
A distinção eficaz só pode ser feita com base em testes de DNA, em
situação laboratorial, embora a contagem de escamas seja um método
alternativo, para utilizar no campo que revela alguma eficácia.
Morfologia da Boca e ataque das presas e das amostras:
(clique
sobre as imagens para ampliar)
Se bem que
qualquer peixe predador tenha tendência para procurar engolir as
presas pela cabeça para evitar danos provocados pelas suas espinhas dorsais, não
quer dizer que o primeiro ataque seja por aí.
Nas imagens subaquáticas de achigãs a atacar amostras, mais de 80%
dos ataques são pela parte traseira da amostra (crankbaits, spinners,
amostras de superfície, minhocas, etc). A aspiração muito potente
que se segue permite a introdução da totalidade da amostra na boca (aconte
com frequência com amostras longas como as minhocas)
Com presas vivas acontece normalmente o mesmo, mas depois de
atordoadas pela potência das mandíbulas, a aspiração pode ser
executada de tal forma que o peixe é depois engolido pela cabeça.
(Alguns peixes rejeitam mesmo a presa atordoada para a voltarem a
abocanhar pela cabeça, nos casos em que essas presas possuem
barbatanas dorsais espinhosas que dificultam a sua deglutição)
De notar, nas
fotografias, a presença de
branquiespinhas ou dentes branquiais (mais desenvolvidos no primeiro
arco branquial) que servem vários propósitos, entre eles proteger as
brânquias, impedindo o contacto directo entre elas e as presas,
evitando simultaneamente que estas se escapem.
Nalguns casos, toda a amostra é introduzida dentro da boca e é
aspirada no sentido em que se desenvolveu o ataque - por vezes de
lado, como no caso dos spinnerbaits. Mas, neste caso, o centro do
ataque na aproximação final é a saia do spinnerbait, por isso, o
achigã apanha na maioria das vezes o anzol e, raramente, as lâminas.
Isso ocasionalmente acontece nos maiores exemplares que podem
absorver todo o spinnerbait.
Os lagostins são das poucas presas que enfrentam o achigã tentando
defender-se com as tenazes e por isso são aspirados para a boca pela
cabeça. Nos machos adultos de lagostim, as tenazes maiores não devem
ser indiferentes ao achigã, pois segundo os estudos efectuados pelo
biólogo Jorge Palma, as preferências vão para as fêmeas devido à
menor dimensão das tenazes.
Um exemplo desse tipo de ataque pode ser visto num pequeno clip de
vídeo na secção Formação do nosso site com o título -
Aspirando as
presas.