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  Artigos - Técnicas
 "O Drop-Shot"
 
 

 Esta técnica, desenvolvida no Japão, surgiu no Oeste dos USA para ser utilizada nos lagos profundos de águas claras como solução alternativa ao split-shooting e a outras técnicas de finesse, em situações de pesca difícil e impôs finalmente a utilização das canas e carretes de spinning de acção média ou média ligeira nos circuitos profissionais americanos.

                               
Anzol vulgarmente utilizado no Drop-Shot        Chumbos para Drop-Shot

A montagem efectua-se com um anzol pequeno, geralmente entre o tamanho 2 e o 1/0, que se empata com um nó palomar, deixando um estralho longo (20 a 60 cm) na extremidade do qual se fixa um peso especial provido de um destorcedor para evitar o enrolamento da linha (ver imagem acima).

A montagem inicialmente não é fácil, dada a necessidade de deixar o anzol empatado na linha com a ponta para cima.

Um pequeno truque indispensável consiste em, após o empate, passar a ponta do estralho de novo pelo olhal do anzol e ajustar um pouco a posição do nó, forçando assim o anzol a adoptar a posição desejada.

 É necessário fechar as espirais do nó palomar pouco a pouco, com o maior cuidado, para evitar fragilizar a linha superior (entre a cana e o anzol – o chumbo pode perder-se, o peixe não).

 
Empate Palomar deixando um estralho longo

O peso pode ser muito variável mas geralmente fica entre as 6 e as 12 gramas. Pessoalmente, opto pelos chumbos mais pesados, para manter mais facilmente o contacto com o fundo, o que me parece essencial nesta técnica.

A acção de pesca é quase sempre vertical (quanto maior o ângulo menos eficácia), deixando cair a montagem até que o chumbo toque o fundo (em profundidades geralmente superiores a 6 metros) e com pequenos movimentos da ponteira que pretendem provocar a oscilação da amostra fixa ao anzol, sem que o chumbo se levante do fundo. Normalmente utilizam-se minhocas de vinil entre as 3" e as 4" polegadas ( a maior parte dos fabricantes fez sair recentemente vários modelos específicos para drop-shot), embora neste departamento se possam utilizar lagartos, tubos, grubs, lagostins, senkos, shadow’s, jerkbaits moles, etc, A imaginação aqui, é o limite.

O empate da amostra no anzol é feito da mesma forma que o empate Texas.

Existem também anzóis específicos para drop-shot, como o Mosquito Hook, cujas dimensões reduzidas causam estranheza e desconfiança ao pescador de achigã. Neste caso, a amostra é fixa apenas pela extremidade (pelo "nariz") no anzol, que fica exposto, assegurando uma ferragem quase automática, aumentando, no entanto, os riscos de prisão da montagem. Na montagem mais tradicional, a amostra é empatada à Texas, cobrindo o anzol, utilizando-se aqui mais o tamanho 1/0.

Tradicionalmente, utilizam-se linhas finas. Desde as 4lb! de resistência até às 8 lb (2 a 4kg) nas montagens tradicionais, com diâmetros entre os 0,18 e os 0,25mm. O objectivo é claro! Em situações mais difíceis, onde não se consegue capturar um peixe, o drop-shot pode salvar uma "grade" e ajudar a conseguir um limite de peixe pequeno, mas com medida.

Esta filosofia inicialmente não foi muito aliciante para mim. Pelo que, nas poucas vezes que tentei utilizar esta técnica, os resultados não foram muito animadores, regressando rapidamente às técnicas mais tradicionais. Utilizei-o pontualmente em situações de treino mais difíceis, tendo-me surpreendido ocasionalmente com algumas capturas de peixe mediano (600g), mas sendo nitidamente suplantado pelo empate Texas em concursos. O dropshot voltou a ser opção nas últimas provas do Torneio APPA do ano de 2002, onde o número de toques e capturas, muito escasso, levou-me a experimentar de novo esta técnica durante as provas.

Assim, na última prova disputada em Castelo do Bode, um drop-shot pouco ortodoxo, linha 10lb, diâmetro 0,28 mm e minhocas e lagostins de 4" polegadas, foram utilizados para pesquisar áreas entre os 7 e os 10 metros, em zonas onde outras capturas já tinham sido efectuadas e onde, se existiam mais peixes, não os conseguíamos convencer a atacar o empate Texas tradicional. Assim, depois de passar uma área a "pente-fino" sem qualquer toque, voltei a pescar essa mesma área, junto a uma parede de pedra vertical, com fundo a 8 metros de profundidade com o drop-shot. Ao segundo lançamento junto à parede, observei a linha a deslocar-se lateralmente. Ferrei e aquilo que inicialmente supunha ser uma carpa (o peixe permanecia a meia água, com uma força surpreendente e sem mostrar qualquer tendência para saltar) veio a revelar-se ser um achigã de 1,300 Kg.

Este tipo de experiência, levou-me a insistir nesta técnica no último Encontro Internacional Caspe Bass 2002, (onde foi responsável por algumas das capturas da equipa vencedora), conseguindo capturar vários exemplares entre as 600 e as 850 gramas que, infelizmente, ficaram alguns milímetros aquém da medida mínima exigida. As situações de pesca foram bastante similares, paredes de pedra verticais, por vezes junto a bicos de pedra, e profundidades entre os 6 e os 12 metros. Lançamentos muito curtos, quase na vertical do barco. Contacto do chumbo com o fundo. Afrouxar ligeiramente a linha, tentando produzir um movimento oscilante e tentador da amostra, sem levantar o chumbo do fundo. Repetir até sentir um toque e ferrar. Uma das dificuldades que senti, prende-se com a sensação de peso ao levantar a ponteira da cana. Todos os nossos instintos de pescador de minhoca à moda do Texas, nos dizem para ferrar imediatamente. É preciso alguma disciplina para ultrapassar esta situação.

Os toques são muito variáveis. Desde sensações de maior peso (superior ao do chumbo utilizado), movimento lateral da linha ( o peixe já leva a amostra na boca), pequenos toques (mais tradicionais na pesca de fundo), até a ausência de peso da montagem que o peixe levantou do fundo, tudo isso pode acontecer.


Na última Taça do Mundo do Cabril, disputada em Novembro de 2003, a maioria
das equipas efectuou as suas capturas entre os 8 e os mais de 20 metros!!
utilizando esta técnica.

Em qualquer uma dessas situações, uma pequena ferragem firme, mas sem exageros é geralmente suficiente para determinar se existe um peixe do outro lado da linha. Ocasionalmente, convém repetir a ferragem, se esta não foi feita inicialmente, com a convicção necessária. É, no entanto, raro, um peixe desferrar-se no salto quando se utiliza o drop-shot. Pude constatar que, a colocação do peso vários centímetros abaixo do anzol, não parece fornecer ao peixe o ponto de apoio necessário para este se soltar com muita facilidade.

Associado à cana de spinning de acção média ligeira (ou média), rondando o 1,70 m, é conveniente utilizar um carreto fluido, com um bom freio (linhas finas!) e de recuperação rápida que ajude a manter o contacto com o peixe e que pode evitar perder algumas capturas que mostram tendência para disparar como um foguete em direcção à superfície, mal se sentem ferradas.

Quanto a linhas, na pesca mais fina, a quase invisibilidade é sempre uma vantagem, o que implica a utilização do fluorcarbono. No entanto, um bom monofilamento, de pequeno diâmetro e resistente é um bom substituto. Não esquecer de reempatar após capturas de algum peso que fragilizam o nó palomar.

Sei que o meu amigo Manuel Pascoal, se manteve fiel ao espírito inicial com que esta técnica surgiu, linhas finas, chumbos e anzóis pequenos. Recomendo, mesmo assim, para o utilizador iniciado, começar com um chumbo mais pesado para facilitar o contacto com o fundo. De notar, que um dos princípios básicos desta técnica, utilizar uma amostra afastada largos centímetros do chumbo, para atrair a atenção de peixe cujo foco de interesse não é nesse momento o fundo, não necessitará obrigatoriamente de linhas finas e amostras pequenas, principalmente em águas menos claras.

Não esquecer que a experimentação e o desrespeitar das "regras" aceites é aquilo que faz a pesca do achigã evoluir e motiva o aparecimento de novas técnicas. Por isso, experimentem...e boas capturas!

Jaime Sacadura

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