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O aparecimento de novos
tipos de amostras nestes últimos anos tem dificultado a tarefa da
sua classificação nos vários grupos tradicionais.
A nomenclatura que utilizamos é baseada
na Americana e os que termos que usamos são por vezes difíceis de
traduzir e adaptar à língua portuguesa. Assim, alguns termos
mantêm-se na língua inglesa, como crankbaits ou
spinnerbaits, sem tradução, enquanto que para outros, como os
poppers e os walkbaits, se tentam arranjar equivalentes
mais ou menos adequados, como "beijoqueiras" ou "passeantes".
Noutros casos, a língua inglesa revela-se simplesmente difícil de
ultrapassar em simplicidade, como nos jerkbaits, cuja
tradução portuguesa à letra, "imitações de peixe rígidas para animar
aos esticões", não é utilizada por ninguém.
Vem isto a propósito da dificuldade de
classificação de algumas amostras inovadoras mais recentes,
concebidas principalmente no Japão por diversos fabricantes (como a
Lucky Craft, a Imakatsu, a JackAll ou a Evergreen).
Numa primeira análise a estas amostras,
ficamos na dúvida se realmente estamos em presença de verdadeiras
inovações. A maioria, parecem simplesmente ser variantes de uma
simples jointed jerkbait , ou seja, de uma imitação de peixe
rígida articulada.
Quase todas possuem uma paleta frontal
em forma de losango, com um ângulo bastante pronunciado, o que as
impede de afundar demasiado quando recuperadas (a maioria não
ultrapassa o meio metro). Têm 2 ou 3 articulações no corpo e podem
incluir ainda uma cauda em plástico mole ou, nalgumas variantes, uma
lâmina do tipo da utilizada nos spinnerbaits, como no caso da
Real Califórnia Swimbait da Lucky Craft.

Na sua grande maioria, estas amostras
são flutuantes e quando recuperadas produzem oscilações corporais
bastante pronunciadas que são reforçadas pelo movimento da cauda em
plástico mole, nos casos em que esta existe. Este movimento
oscilatório, semelhante ao de um peixe, permitiu a estes fabricantes
apresentar este grupo de amostras como Swimbaits, ou seja,
"amostras que nadam".
Se realizarmos uma pesquisa na Internet,
usando como palavra-chave a expressão "Swimbait", vamos encontrar
centenas de páginas web que se referem a amostras de vinil com corpo
e caudas concebidas para oscilar e que se incluem na categoria das
Swimbaits de plástico mole. Se em vez disso, utilizarmos a
expressão "Hard Swimbait", conseguiremos localizar muitas amostras
de plástico rígido que se podem incluir nesta categoria das
Swimbaits rígidas.
São geralmente amostras grandes, com
tamanhos superiores aos 12-13 cm e 1 onça (28 gramas) de peso e que,
nalguns casos, podem ultrapassar aquilo que consideramos razoável
como amostras para a pesca do Achigã, chegando a atingir os 23 cm e
ultrapassando as 4 onças de peso (cerca de 112 gramas), como o
modelo Timberflash da Evergreen.
Tudo isto implica custos elevados para o
pescador. Não só pelo preço destas amostras que é, normalmente,
bastante elevado, tratando-se de inovações e de amostras importadas,
como pela necessidade de utilizar material adequado e reforçado para
lançar e animar amostras com as dimensões e os pesos indicados (as
canas de acção Médium Hard – Média Pesada são normalmente
quase obrigatórias nestes casos).
Os mais críticos deste movimento anual
de produção de novas amostras, concebidas essencialmente para
capturar pescadores e não necessariamente peixes, podem argumentar,
não sem razão, que sendo essencialmente amostras de superfície e
subsuperfície, não fazem necessariamente a diferença e que os peixes
que capturam poderiam eventualmente ser capturados com amostras mais
tradicionais. Tirando a perfeição do seu acabamento e a acção
extremamente realista do movimento que produzem, esses críticos não
deixam de ter alguma razão.
Mas, ocasionalmente, no meio desta
catadupa de novidades com que nos bombardeiam anualmente, surgem
algumas amostras que se destacam como verdadeiras e excitantes
inovações.
Estão neste último grupo, um conjunto de
amostras de vários fabricantes e que são perfeitamente
exemplificadas por alguns modelos já disponíveis no mercado, como a
SRIDE da Jackall Bros. (Lake Police) e a ESDRIVE da Evergreen.

Desprovidas geralmente de paleta frontal
(embora possuam normalmente uma "quilha", à frente ou atrás), com 2
articulações no corpo e, nalguns casos, com uma cauda em plástico
mole adjacente à 2ª metade rígida, estas amostras possuem um
comportamento dentro de água que
surpreende pela eficácia e inovação do seu movimento e pela
simplicidade da sua utilização.
Com efeito, numa recuperação
perfeitamente normal, este tipo de amostras apresenta uma animação
que surpreende, produzindo um movimento natatório em S muito amplo e
pronunciado, sem requerer qualquer acção especial por parte do
pescador.
Este tipo
de acção, não tem nada a ver com a simples oscilação corporal,
característica dos jerkbaits e swimbaits articulados
mais tradicionais e, esta oscilação em S, permite apresentar aos
peixes um movimento natatório pouco habitual e que pode fazer a
diferença na altura de tentar estimular um Achigã a atacar.
Podemos ainda variar um pouco o
movimento da amostra, reforçando esta oscilação, se utilizarmos em
vez da recuperação normal, vulgo corricar, pequenos toques de
ponteira e pausas, imitando a animação tipo walk-the-dog
utilizada nos passeantes.
São ainda amostras ligeiramente
afundantes, o que permite explorar diversas camadas de água, pois
iniciando a recuperação após permitir a queda durante alguns
segundos, a amostra tende a manter a profundidade a que se iniciou a
recuperação.

Alguns modelos são bastante pesados,
como o ESDRIVE, atingindo as 45 gramas e, como alternativa à
utilização de canas Médium Hard, foram desenvolvidas canas de
casting específicas para a sua utilização, conhecidas como
canas para Swimbaits e que apresentam acção idêntica à de uma
boa cana de crankbait, permitindo a utilização de amostras
com pesos de 1 até 4 onças!
Resta-nos a difícil tarefa de tentar
encontrar este tipo de amostras no mercado nacional. (encontram-se
normalmente esgotadas no Japão) ou, em alternativa, para os menos
pacientes, tentar a importação directa, o que se revela proibitivo
dado o elevado valor a que estas amostras são comercializadas mesmo
no seu País de origem.
De certeza que podemos contar com duas
coisas:
- A primeira é que, dada a verdadeira
inovação que estas amostras apresentam, nos próximos anos podemos
esperar uma verdadeira catadupa de cópias, com ligeiras
modificações, por parte dos restantes fabricantes. Foi assim com
inúmeras amostras inovadoras na história da Pesca do Achigã (das
quais a Zara Spook e o Senko, são apenas 2 exemplos) e desta vez não
será diferente;
- A segunda é que não será a última
inovação que vamos assistir nos tempos mais próximos. Os inúmeros
protótipos que estão actualmente em teste e o número sempre
crescente de novos fabricantes, garantem um futuro excitante para os
pescadores que apreciam verdadeiras inovações e certamente muito
dispendioso para os coleccionadores de amostras.
Texto e Fotografias: Jaime Sacadura
(artigo publicado na revista Mundo da Pesca - n085 - Julho de
2006 - versão original em
.PDF)
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