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O Jornal Público
no passado dia 21 de Maio de 2004 publicou no seu caderno local uma
reportagem sobre a Acção de Formação de Reguengos.
Sob o título "Alentejanos preparam-se para a Época de Pesca do
Achigã" e assinado por José Pinto de Sá aqui fica a notícia também
disponível (por enquanto) no link:
http://jornal.publico.pt/publico/2004/05/21/LocalLisboa/LL10CX01.html
"Alentejanos Preparam-se para a Época da Pesca do Achigã
Por JOSÉ PINTO DE SÁ
Sexta-feira, 21 de Maio de 2004
Agora que o bom tempo já convida à pescaria, a ocasião não podia ser
melhor para os pescadores alentejanos falarem de achigãs. A pensar
assim, a Feira Exponáutica, promovida pela Câmara de Reguengos de
Monsaraz, organizou no passado fim-de-semana uma jornada sobre a
pesca do achigã que atraiu cerca de uma centena de pessoas.
Organizada pela Associação Portuguesa de Pesca ao Achigã e
colectividades desportivas, a acção visou sensibilizar os pescadores
para o respeito pela espécie e sua preservação. Além de palestras
por especialistas, o programa contemplou uma vertente prática nas
piscinas municipais de Reguengos de Monsaraz. Ali foram demonstradas
algumas técnicas e aprestos que permitem capturar maiores
exemplares. Porque, como observou Fernando Pereira, vencedor da Taça
do Mundo, "a satisfação dos pescadores desportivos deve ser pescarem
achigãs grandes e devolverem à água os mais pequenos".
À beira da piscina mas equipados a rigor, os formadores Jaime
Sacadura Cabral e Hermínio Rodrigues, ex-campeões nacionais,
partilharam com a interessada assistência os seus segredos,
explicando para que serve tal cana, tal linha ou tal amostra, e como
se utiliza.
As amostras, que servem para atrair o peixe ao anzol, são muitas e
variadas, de todas as cores e feitios. Imitam peixes, escaravelhos,
minhocas, salamandras e lagostins, tudo aquilo, enfim, que seja
susceptível de interessar a voracidade do achigã. Outras não imitam
nada e apelam à curiosidade do peixe, como a "buzz-bait", que gira,
brilha ao sol e emite um zumbido.
Além da amostra, é preciso saber com que cana e com que linha a
usar, e de que modo se servir delas para obter melhores resultados
com menos custo. Mas desengane-se quem pensa que se pescam achigãs
sentado à sombra, de espírito ausente e corpo entorpecido. Numa
pescaria podem efectuar-se 600 lançamentos e é preciso estar sempre
a trocar a amostra e até a cana, escolhendo o material mais
apropriado para chegar ao peixe, esteja ele nos fundos rochosos,
entre a vegetação ou à superfície.
Os achigãs (micropterus salmoides) são muito comuns nos rios e
albufeiras de todo o país, em especial no Centro e Sul. Estes peixes
da família dos centrarquídeos dão-se bem nas águas portuguesas e
chegam a ultrapassar os quatro quilos de peso, sobretudo à custa do
lagostim vermelho e da perca sol, cujas pragas têm ajudado a
combater. Originários dos Estados Unidos e Canadá, foram levados com
sucesso para dezenas de países da América, Ásia, África e Europa,
onde têm mais representatividade na Península Ibérica. A sua
introdução em Portugal continental data somente de 1952, por
iniciativa de pescadores desportivos e através da importação de
apenas 150 alevins de uma piscicultura francesa.
Sem predadores naturais nas águas portuguesas, o achigã é contudo
ameaçado
pela poluição, por obras de engenharia lesivas do ambiente e pelas
práticas abusivas de muitos pescadores desportivos. Os promotores da
acção de formação na Exponáutica empenharam-se em sensibilizar os
pescadores para a adopção de práticas que não coloquem a espécie em
risco.
Agrupada em volta da piscina de Estremoz, a assistência,
maioritariamente masculina, seguiu as demonstrações práticas dos
campeões com curiosidade e comentários, à boa maneira alentejana. No
fim, todos concordavam que a vida seria de facto mais pobre sem
domingos de pesca nem caldeiradas de achigã."
Tirando o Cabral, do qual não afirmo não possuir antepassados, mas
que não possuo no nome e a menção final às caldeiradas de achigã,
amenizada no parágrafo anterior pela necessidade de adoptar práticas
que não coloquem a espécie em risco, não está nada mal como
divulgação das Acções de Formação da APPA e da pesca do Achigã com
isco artificial em particular.
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