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Depois de uma longa viagem de mais de 12 horas a conduzir de
regresso de Caspe, ontem não houve disponibilidade para vos fazer
nem um pequeno relato do Caspe Bass deste ano.
Hoje, um pouco mais descansado, aqui vai uma primeira reportagem,
necessáriamente breve, do que se passou.
Á chegada na 4ª feira, dia da recepção aos participantes, fomos
informados que as equipas que tinham ido no fim de semana anterior
para treinar, ou não tinham feito qualquer captura ou tinham
capturado apenas 1 ou 2 exemplares.
Alguns colegas espanhóis afirmavam que ou se apanhava uma "grade" -
um "zero" ou "bolo" como eles dizem - ou então se apanhavam alguns
exemplares de bom porte (pois segundo eles, até se conseguiam ver
bons exemplares, a rondar o 1,5Kg, só que não picavam - o que queria
também dizer que teriam peixe localizado e o iriam tentar convencer
a picar durante o evento)
No primeiro dia, a maioria das equipas presentes não conseguiu
qualquer captura! Foram 49 "grades" em 97 equipas participantes e
apenas uma! equipa conseguiu o limite de 5 exemplares.
Os "extraterrestres" irmãos Perez, voltaram a surpreender capturando
4 exemplares com 6,815Kg. Das equipas portuguesas só o Mário Nelson
e o Luís Palma conseguiram 2 capturas que pesaram 1,340Kg. As outras
2 equipas nacionais com peixe, foram João Grosso e Fernando Cruz com
1 exemplar de 1,650Kg e Fernando Silva e Inácio Martins com 1
exemplar de 755 gramas.
O 2º dia foi ganho pela dupla francesa Samir Kerdjou e Nasser
Khanfour que capturaram 3 exemplares com 5,400Kg. De notar que esta
equipa tinha "gradado" no 1º dia e voltou a "gradar" no 3º! o que
mostra a irregularidade e alguma "lotaria" nas capturas da edição
deste ano.
Os irmãos Perez apenas capturaram 2 exemplares (mas totalizaram
2,750Kg), o que lhes permitiu manter a liderança com uma diferença
ainda superior à do 1º dia.
Das equipas portuguesas, neste 2º dia, só João Grosso e Fernando
Cruz capturaram 1 exemplar que pesou 1,700Kg.
No 3º dia, os irmãos Perez voltaram a vencer a manga,
capturando 3 exemplares que pesaram 4,315Kg, terminando a prova com
uns espantosos 13,880Kg em 9
exemplares, a mais de 5,030Kg
!!dos 2ºs classificados, os irmãos Longas (dos pescadores
mais experientes em Caspe) que pesaram apenas 8,850Kg em 7
exemplares capturados. Conseguiram ainda o maior exemplar do
Torneio, capturado na 1ª manga com 2,650 Kg. Simplesmente
IMPRESSIONANTE!!
Neste último dia apenas 35 equipas capturaram algum exemplar, pelo
que as restantes 62 "gradaram" !! Houve apenas 1 limite de 5
exemplares nos total dos 3 dias de prova.
Para felicidade da comitiva portuguesa, a dupla João Grosso e
Fernando Cruz, conseguiu capturar, neste último dia de prova, mais 2
exemplares que pesaram 3,925Kg, totalizando apenas 4 exemplares, mas
que pesaram 7,275Kg que lhes permitiu conquistar um excelente 3º
lugar.
Aqui fica o pódio da edição deste ano:

(Clique para ampliar - Click on the photo to enlarge)
Parabéns aos vencedores!!
A 2º equipa portuguesa, Fernando Silva e Inácio Martins, ficou
apenas na 43ª posição, com 2 exemplares e 2,015Kg, juntando um
exemplar de 1,260Kg capturado neste último dia, ao que tinham
conseguido na 1ª manga.
A 3ª equipa portugesa, Mário Nelson e Luís Palma (2ºs classificados
na edição de 2004), não conseguiram juntar mais nenhum exemplar aos
capturados no 1º dia e ficaram na 52ª posição, com 2 exemplares e
1,340Kg.
As restantes equipas portuguesas, Pedro Félix e Paulo Ramos
(campeões nacionais deste ano), Nuno Piteira e Luís Domingues e
Jaime e João Sacadura, não conseguiram qualquer exemplar nos 3 dias
de prova, juntando-se na classificação geral às 30 equipas que
também não conseguiram qualquer captura, algumas muito conceituadas
e normalmente bem classificadas em Caspe, como o francês Frank
Rossman, os profissionais Mark Curry (vencedor em 2003 com Kevin Van
Dam) ou o japonês Senji Kato (3º classificado na edição de 2003 e 7º
na de 2004).
Muitas equipas de excelentes pescadores, capturaram apenas 1
exemplar no 1º dia, enquanto outras como os vencedores em 2001,
David Espax e Dario Cami, capturaram 2 exemplares, apenas no último
dia de prova.
Para a maioria das equipas, a edição deste ano trouxe jornadas de 10
horas diárias de autêntico suplício, onde tentaram por todos os
meios, conseguir uma simples picada de um Achigã, tendo algumas
conseguido esse objectivo uma única vez em 30 horas de pesca,
enquanto que outras se tiveram que contentar com algumas
Lúcio-Percas, Siluros ou Carpas, pelo que teriam chegado a duvidar
da existência da espécie na barragem de Mequinenza a não ser pelas
poucas capturas presentes à pesagem pelas restantes equipas.
A maioria das capturas (ao que nos foi possivel apurar) foi
conseguida nas duas primeiras horas da manhã com amostras de
superfície ou dispersas ao longo do dia, com jerkbaits e crankbaits.
Para a maioria das equipas, a utilização de crankbaits ou amostras
de fundo, era premiada com a captura de numerosas Lúcio-Percas,
alguns Siluros e nalguns casos, como o nosso, até Carpas!!
Os 35 metros de nível abaixo da quota máxima e a anormalidade das
temperaturas deste Outubro, podem explicar a pobreza do número de
capturas deste ano, mas não parecem explicar tudo, nomeadamente a
ausência gritante de exemplares de pequeno porte (nem vê-los em toda
a barragem) e, este aparente declínio da população de achigãs de
Mequinenza, pode ter muito a ver com as outras espécies existentes
nesta barragem e o seu forte pendor predatório.
Esperamos sinceramente que tenha sido um ano excepcional, mas se
jornadas como esta se repetirem, o futuro de Mequinenza, como
destino para capturar achigãs está em perigo.
Podem consultar aqui a -
Classificação Geral Caspe Bass 2005
Uma nota final, para recomendar a todos os que visitem esta barragem
para desinfectarem tudo o que entrou em contacto com a água desta
barragem (de preferência com água quente - mínimo de 60ºC -
utilizada na desinfecção das nossas embarcações) e que possa
transportar larvas do mexilhão Zebra. Esta autêntica praga,
já recobre todas as margens de Mequinenza e garanto-vos que não o
queremos de maneira nenhuma nas nossas águas, pois cobrem todas as
superfícies, entopem canos e condutas, cortam as linhas como facas
afiadas e, como são filtradores, recolhem todo o potencial alimento
dos alevins (o plâncton ) impedindo o seu desenvolvimento e
consequentemente o dos que os utilizam como alimento.
O ano passado ainda não se via um único mexilhão (nivel de água
superior alguns metros). Como se comprova pela primeira fotografia,
bastou um ano para que o mexilhão se espalhasse com uma velocidade
impressionante e a zona fotografada é das menos atingidas da
barragem, porque está afastada do local da primeira contaminação.
Nessa zona, já não se vêm pedras, apenas mexilhões, uns sobre os
outros!!!
Todo o cuidado é pouco para impedir este autêntico desastre de
atingir as àguas nacionais!!
Edições de anos anteriores -
Caspe Bass 2004;
Caspe Bass 2003;
Caspe Bass 2002
Mais informações na secção Competição.
Texto e Fotos: Jaime Sacadura |
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