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O Cenário
Os melhores pescadores do ano de 2003 dos 4 Países europeus com
maior expressão na pesca do Achigã. Portugal, Espanha, Itália e
França e uma equipa de profissionais dos USA num total de 22 equipas
(44 pescadores). Uma massa de água extensa do Centro do País, a
Barragem do Cabril, possuidora de uma população de achigãs
normalmente não muito abundantes e relativamente difíceis, mas onde
se sabe existirem grandes exemplares. Novembro (dias 19 a 23), um mês frio, uma
incógnita quanto a resultados desportivos nesta massa de água.
Inicialmente, alguns
temores e receios de poucas capturas que empobreceriam o evento e
não dariam uma imagem fiel das potencialidades do nosso País em
termos de pesca do Achigã, felizmente afastados na última prova do
Campeonato Nacional disputada em Outubro, onde o número de
exemplares capturados foi excepcional para esta barragem,
provavelmente como resultado de boas posturas em anos anteriores.
As condições
logísticas, como a hotelaria e restauração, e o empenhamento das
"forças vivas" da região, empresariais e autárquicas, completavam o
conjunto de condições necessárias para fazer deste evento um sucesso
desportivo.
Os treinos
Um fim-de-semana de treino, quinze dias antes do evento, debaixo de
chuva intensa. Uma equipa nacional constituída pelos 5 primeiros
classificados no Campeonato Nacional de 2003.
Uma equipa de coordenação capitaneava a selecção e era constituída
por Ventura Silva e Hermínio Rodrigues, pescadores conceituados que
não precisam de apresentação. Era necessário reconhecer os pontos
mais produtivos da barragem e aferir o seu estado actual.
A colaboração de um
dos pescadores que melhor a conhece, pois é a sua favorita nos
últimos 12 anos, Ramón Menezes, revelou-se imprescindível,
permitindo identificar, quer no braço de Unhais, quer no do Zêzere,
um conjunto de locais que podiam funcionar como alternativa, em caso
das zonas de pesca habituais se esgotarem nos 3 dias da competição.
Desde muito cedo, a estratégia definida pela equipa coordenadora
contemplava um objectivo bem definido – assegurar a vitória
colectiva – a vitória individual se viesse, viria por acréscimo.
Recolhidas
as informações de cada equipa, no final de cada dia de treino, foram
identificadas algumas zonas de baixios e várias zonas com rochas e
árvores submersas muito produtivas, nos dois braços. No dia de
treino para todas as equipas, na véspera da prova, ficou combinado
evitar estas áreas, para não as dar a conhecer imediatamente às
equipas adversárias.
A prova – 1ª Manga
O
sorteio, realizado na véspera do treino, fornecera um número a cada
equipa. A saída seria dada em 3 vagas espaçadas por 5 minutos cada.
A numeração alternava as equipas de cada País na saída. A primeira
equipa Americana a sair, surpreendeu tudo e todos, pois começou a
pescar numa pequena ilha, 50 metros à direita da linha de partida. A
segunda equipa americana, imitou-a começando num pequeno bico a 75
metros da partida e a terceira dirigiu-se à margem esquerda e
iniciou a sua pesca nas rochas ao lado da piscina que fica por baixo
do restaurante Lago Verde.
Para nós, a surpresa
ainda foi maior, pois nunca considerámos essas zonas como
alternativa de pesca, estando tão próximas ou sendo mesmo
coincidentes com zonas de libertação de peixe em provas anteriores.
De acordo com a estratégia definida, em face da ordem de partida e
da velocidade das embarcações, estabeleceram-se os pontos iniciais
de pesca para cada equipa, privilegiando uma zona de baixio muito
produtiva nos treinos, onde pescariam duas equipas. Se necessário,
essas equipas, após terem efectuado o limite cederiam essa posição
às outras. No final da primeira hora de prova, um contacto
telefónico da equipa coordenadora dava conta de que as equipas
americanas estavam com um ritmo de capturas impressionante e teriam
todas o limite, encontrando-se já a trocar peixes.
A
estratégia inicialmente definida, não foi, mesmo com essa
informação, alterada e com calma e confiança, cada equipa nacional
foi efectuando as suas capturas e explorando as zonas predefinidas.
No final do dia, essa opção revelava-se correcta, com as 3 primeiras
equipas nacionais, as que pontuavam, a assegurarem um 1º (João
Grosso e Fernando Cruz), um 3º (Fernando Pereira e João Pardal) e um
4º lugar (Jorge Carvalho e André Fidalgo), com um total de 8 pontos
para a selecção nacional. A equipa Americana com um 2º, um 8º e um
16º lugar, num total de 23 pontos e a equipa Italiana, com um 8º, 9º
e um 13º lugar, num total de 30 pontos, seguiam já a alguma
distância.
Em
termos individuais, de realçar a prestação da equipa João Grosso e
Fernando Cruz, que arriscando algum tempo no braço menos produtivo
de Unhais, se viram recompensados com dois belos exemplares, um
deles, o maior exemplar do dia e da prova, com 1,186 Kg, efectuando
o limite de 5 peixes com um total de 4,074 Kg e terminando a manga
na 1ª posição. Na 2ª e na 3ª posições individuais na manga, Ben
Matsubu e Joe Jones, com 5 peixes e 3,371 Kg e Fernando Pereira e
João Pardal, com 5 peixes e 3,045 Kg, respectivamente.
A prova – 2ª Manga
A surpresa inicial dos
Americanos e a facilidade em obterem limites de 5 peixes, levou
outros pescadores a tentarem imitá-los e nesta segunda manga, a zona
próxima da partida foi objecto de interesse para várias equipas,
para gáudio dos espectadores que tiveram a oportunidade única de
assistirem, in loco, a momentos de acção de pesca e capturas, o que
não é vulgar neste tipo de eventos. Cada captura era saudada com
palmas e as máquinas fotográficas e de filmar não tiveram descanso.
A equipa nacional,
fiel à sua estratégia e confiante nos locais predefinidos partiu
para esta 2º manga, com confiança, mas enfrentou alguns problemas
pontuais.
A
subida lenta, mas constante, do nível das águas, tinha colocado uma
das zonas de baixio mais produtivas, a mais de 12 metros de
profundidade. As equipas que pescavam nessa zona, enfrentaram o
problema da expansão da bexiga-natatória dos peixes ao serem
trazidos à superfície. Nos casos mais graves, além de ficarem de
barriga para cima no viveiro, o que lhes provocava alguns problemas
respiratórios, verificava-se a saída do estômago da cavidade
abdominal, comprimido pela bexiga-natatória e a dilatação dos globos
oculares. A resolução habitual deste problema, a perfuração da
bexiga e remoção do excesso de gás, não resolveu por inteiro este
problema, já que alguns exemplares morreram, pouco tempo depois de
capturados.
Fernando Pereira e
João Pardal, sofreram particularmente deste problema, na sua zona de
pesca mais produtiva, com capturas entre os 14 e os 16 metros!
Alternaram, ao longo do dia, situações em que após a obtenção do
limite de 5 peixes se viam confrontados com a necessidade de o
refazer, por morte de alguns exemplares. Não desesperaram e no final
do dia contribuíram com um 1º lugar para a equipa nacional. Jaime
Sacadura e João Sacadura em 4º e Jorge Carvalho e André Fidalgo em
7º completaram as 3 equipas nacionais desta manga, totalizando 12
pontos. A equipa Espanhola, depois de um primeiro dia difícil,
começou a mostrar os seus pergaminhos na pesca do achigã e logrou a
2ª posição no dia com um total de 23 pontos (2º, 9º e 12º). Em 3º
lugar na manga, a equipa Americana, com 26 pontos (3º, 8º e 15º).
Em
termos individuais, Fernando Pereira e João Pardal, em 1º, com 5
exemplares e 2,976 Kg. Na 2ª e 3ª posições nesta 2ª manga, José
Torregrosa e José Herrera, 5 exemplares com 2,810 Kg e Gary Yamamoto
e Beverly Yamamoto, 5 exemplares com 2,770 Kg, respectivamente.
Maior exemplar do dia
– 837 gramas por José Torregrosa. De realçar ainda, o azar da equipa
portuguesa, João Grosso e Fernando Cruz que viram o seu 5º exemplar
morrer, devido a ter sido capturado a grande profundidade,
apresentando apenas 4 exemplares à pesagem com 2,041 Kg o que lhes
veio, no final, a custar a vitória individual na prova.
A prova – 3ª manga
Toda a equipa nacional
esperava maiores dificuldades para o 3º dia de prova. Os locais mais
pescados nos dois primeiros dias apresentavam nítidos sinais de
esgotamento, devido à pressão de pesca. Com 3 das 7 horas de prova
cumpridas, apenas uma equipa portuguesa – Fernando Pereira e João
Pardal – tinha já o limite de 5 peixes. 3, 2, 1 e zero exemplares
nos restantes membros da equipa mostravam a dificuldade da tarefa. A
solução era abandonar os locais mais pescados e insistir em zonas
produtivas em concursos anteriores. A totalidade da equipa
concentrou-se no braço do Zêzere e com sucesso.
Duas
horas "mágicas" com 9 capturas sempre de maior dimensão, a juntar
aos 3 peixes que levavam no viveiro, permitiram à dupla Jaime
Sacadura e João Sacadura, informar a equipa de coordenação, da
existência de uma segunda equipa portuguesa com o limite.
Entretanto, Jorge Carvalho e André Fidalgo concentraram-se na zona
da Ponte de Álvaro e conseguiram um terceiro limite. A vitória
colectiva já dificilmente fugiria a Portugal. A troca de informações
e de locais entre as equipas portuguesas, permitiu ainda às duas
restantes, João Grosso e Fernando Cruz e Pedro Félix e Manuel
Mariano conseguirem também o limite de 5 peixes, o que apenas
aconteceu nesta 3ªmanga, colocando as 5 equipas portuguesas nos 10
primeiros lugares.
No final do dia, o
contentamento era geral, pois a vitória colectiva estava assegurada.
As 3 primeiras equipas nacionais, pontuaram 9 pontos (um 2º, 3º e 4º
lugares).
A
Espanha assegurou, como no dia anterior, a 2ª posição na manga com
29 pontos (1º, 11º e 17º), seguida da equipa Americana com 30 pontos
(5º, 12º e 13º).
Em termos individuais,
a equipa espanhola Juan Hiedra e Joaquín Prieto, asseguraram a
vitória na manga, com 5 exemplares e 3,063 Kg, além do maior
exemplar do dia, com 1,057 Kg. Em 2º lugar, Jaime Sacadura e João
Sacadura, com 5 exemplares e 2,708 Kg, seguidos na 3ª posição, por
Fernando Pereira e João Pardal, 5 exemplares com 2,681 Kg.
Classificação Final
(Colectiva e Individual)
A classificação
colectiva ficou assim ordenada:
|
Países |
1ª Manga |
2ª Manga |
3ª Manga |
Classificação
Final |
|
Pontos |
Classif. |
Pontos |
Classif. |
Pontos |
Classif. |
Pontos |
Classif. |
|
Portugal |
8 |
1º |
12 |
1º |
9 |
1º |
29 |
1º |
|
U.S.A. |
23 |
2º |
26 |
3º |
30 |
3º |
79 |
2º |
|
França |
31 |
4º |
32 |
4º |
31 |
4º |
94 |
3º |
|
Espanha |
33 |
5º |
23 |
2º |
29 |
2º |
95 |
4º |
|
Italia |
30 |
3º |
33 |
5º |
38 |
5º |
101 |
5º |
Portugal
em primeiro lugar, com 29 pontos (3 primeiros lugares e 50 pontos de
avanço dos segundos classificados), seguidos dos USA com 79 pontos
(um 2º e dois 3º lugares) e de uma surpreendente França que embora
4ª classificada em todas as mangas conseguiu somar menos um ponto
que a equipa Espanhola (94 contra 95) assegurando assim a medalha de
bronze por Países.
No quadro seguinte a
classificação individual dos 5 primeiros:
|
Class. Final |
Equipa |
País |
1ª Manga |
2ª Manga |
3ª Manga |
Peso
Total |
|
Qtd. |
Maior Ex. |
Peso Total |
Class. |
Qtd. |
Maior Ex. |
Peso Total |
Class. |
Qtd. |
Maior Ex. |
Peso Total |
Class. |
|
1º |
Fernando Pereira - João Pardal |
Portugal |
5 |
0,815 |
3,045 |
3º |
5 |
0,729 |
2,976 |
1º |
5 |
0,551 |
2,681 |
3º |
8,702 Kg |
|
2º |
João Grosso - Fernando Cruz |
Portugal |
5 |
1,186 |
4,074 |
1º |
4 |
0,721 |
2,041 |
11º |
5 |
0,752 |
2,546 |
4º |
8,661 Kg |
|
3º |
Ben Matsubu -
Joe Jones |
U.S.A. |
5 |
1,100 |
3,371 |
2º |
5 |
0,553 |
2,217 |
8º |
5 |
0,725 |
2,515 |
5º |
8,103 Kg |
|
4º |
Jaime Sacadura - João Sacadura |
Portugal |
5 |
0,570 |
2,673 |
6º |
5 |
0,796 |
2,576 |
4º |
5 |
0,590 |
2,708 |
2º |
7,957 Kg |
|
5º |
Jorge Carvalho - André Fidalgo |
Portugal |
5 |
0,709 |
2,966 |
4º |
5 |
0,584 |
2,234 |
7º |
5 |
0,574 |
2,446 |
6º |
7,646 Kg |
Classificação Completa - Ficheiros em
formato .PDF:
Em
termos individuais, medalha de ouro para Fernando Pereira e João
Pardal, brilhantes vencedores, seguidos de João Grosso e Fernando
Cruz a escassas 43 gramas (medalha de prata). Na terceira posição,
assegurando o bronze, os americanos Ben Matsubu e Joe Jones. De
salientar que esta equipa perdeu no decorrer da 3ª manga um exemplar
que calcularam em mais de 2 Kgs, uma contingência da pesca do achigã
e que a torna tão espectacular e imprevisível até final.
Prestação da equipa
Nacional

Fernando Pereira e
João Pardal – A melhor dupla nacional do momento, não deixaram os
seus créditos por mãos alheias. Dos primeiros a conseguir o limite
de exemplares em cada dia, conseguiram a maior parte das suas
capturas ao fundo, com o empate Texas. Linhas finas, fluorcarbono e
chumbos de peso considerável, asseguraram capturas a profundidades
de mais de 14 metros.
Esta
abordagem teve os seus problemas, com alguma mortalidade devida à
descompressão ou a peixes embuchados, dada a dificuldade de praticar
a técnica do empate Texas a grandes profundidades. O grande número
de capturas efectuadas em cada manga (16 exemplares com medida
legal, na última manga, por exemplo) anularam os inconvenientes e
asseguraram a vitória individual. Foram ainda a única equipa que
pontuou nos 3 dias para a vitória nacional (3º, 1º e 3º) num total
de 7 pontos, constituindo a equipa mais regular da prova, o que terá
sido o segredo da sua vitória individual.
João Grosso e Fernando
Cruz – Com uma abordagem semelhante em termos de técnica utilizada,
utilizando quase exclusivamente o empate Texas a grandes
profundidades, esta equipa esteve muito próxima da vitória
individual. Optaram por maiores deslocações, nos dois braços,
procurando peixes de grandes dimensões, uma estratégia que tinha os
seus riscos e que implicou maior dificuldade na obtenção dos
limites.
Por exemplo, na última manga obtiveram o 4º e 5º peixe na última
hora de prova, vindos de cerca de 14 metros e sofrendo de
descompressão da bexiga-natatória. Recorreram então a uma corrente e
baixaram os peixes capturados até uma profundidade intermédia, em
vez de os colocar no viveiro, tentando e conseguindo a sua
manutenção em boas condições até à pesagem. No 2º dia de prova, não
conseguiram evitar a morte do 5º exemplar, o que lhes custou a
vitória individual na prova. Pontuaram para a equipa nacional na 1ª
e na 3ª manga, com um 1º e um 4º lugar, somando um total de 16
pontos nas 3 mangas, conseguindo o 2º lugar individual.
Jaime Sacadura e João
Sacadura – Uma das equipas mais regulares em prova, utilizaram as
técnicas do drop-shot e o empate Texas para todas as suas capturas.
Cientes dos problemas que colocavam as capturas a grande
profundidade, optaram por explorar a faixa dos 8 aos 12 metros e
conseguiram-no, realizando aí todas as suas capturas.
Nas
duas primeiras mangas, os limites surgiram com pouco tempo de prova,
em zonas com árvores afundadas e com a utilização do drop-shot,
essencialmente com lagostim e cut-tail, como isco. Revelaram maior
dificuldade na 3ª manga e necessitaram de explorar outras zonas
menos pescadas, conseguindo com o empate Texas, os seus maiores
exemplares do dia, nos 8-10 metros de profundidade, perto de paredes
rochosas. Pontuaram para a equipa nacional, na 2ª e na 3ª manga, com
um 4º e um 2º lugar, somando um total de 12 pontos nas 3 mangas,
assegurando o 4º lugar individual.
Jorge Carvalho e André
Fidalgo – Outra equipa extremamente regular nos 3 dias da prova. Com
maior facilidade na 1º manga em que conseguiram um bom limite que
lhes assegurou o 4º lugar, tiveram que trabalhar um pouco mais nos
dois dias seguintes.
Conseguiram
completar os seus limites diários na zona envolvente à Ponte de
Álvaro, utilizando essencialmente o drop-shot, com chumbos leves e
iscos ligeiros. A zona apresentava um bom número de exemplares
embora de menor peso. Não perderam de vista outras técnicas pois no
dia de treino chegaram a capturar peixe em 2 metros de água com
crankbait. Na prova, renderam-se à norma e fizeram capturas em
profundidade, chegando a efectuar capturas a 16 metros com os
inconvenientes já mencionados, pois na 2ª manga morreu-lhes o maior
exemplar. Pontuaram para a equipa nacional, na 1º manga, com um 4º
lugar, somando um total de 17 pontos nas 3 mangas e assegurando o 5º
lugar individual.
Pedro Félix e Manuel
Mariano – Os vice-campeões nacionais enfrentaram uma tarefa
extremamente difícil. Reconhecidos especialistas de técnicas
rápidas, como os crankbaits e menos entusiastas da pesca a grandes
profundidades, foram-se adaptando a pouco e pouco e conseguiram na
3ª manga o tão almejado limite de 5 exemplares, também eles com o
drop-shot, conseguindo o 10º lugar na manga.
Nas duas primeiras mangas, talvez esperançados em capturar
exemplares de maior dimensão, que lhes tinham saído nos treinos com
Senkos e Crankbaits, não terão insistido tanto nesta técnica e
conseguiram apenas dois exemplares em cada manga. A sua contribuição
foi preciosa ao exploraram e assinalarem como não produtivas, zonas
analisadas nos treinos e que poderiam eventualmente constituir
alternativas a explorar por parte das outras equipas nacionais.
Somaram 36 pontos nas 3 mangas e ficaram na 14ª posição individual.
No final de cada dia
do evento, as reuniões da equipa nacional, com a consequente troca
de informações sobre técnicas, locais de captura, iscos,
profundidades e todos os aspectos com interesse para melhorarem as
prestações individuais, não tiveram paralelo a qualquer situação
vivida em termos de competição até ao momento. Um verdadeiro grupo,
com espírito de partilha, onde ninguém escondeu nada a ninguém, com
vista ao objecto comum – a vitória nacional.
As outras equipas
Um dia de treino numa
barragem como o Cabril, revelou-se insuficiente para localizar as
zonas mais produtivas e as técnicas mais adequadas para obter o
maior número de capturas. Os primeiros a adaptarem-se às condições
da prova, foram os profissionais americanos.
Reconhecidos
especialistas de pesca fina e habituais utilizadores do drop-shot,
foram surpreendidos na véspera da 1ª manga, a observar
detalhadamente uma fotografia na parede do hotel, da zona envolvente
à partida, onde o nível da água deixava aperceber as estruturas
submersas da ilha e do bico próximo.
Rapidamente se aperceberam do potencial desta zona e exploraram-na
até à exaustão. Ter-lhe-ão faltado zonas alternativas quando a
pressão de pesca se revelou demasiada. Ben Matsubu e Joe Jones
constituíram a melhor equipa americana totalizando 15 pontos
(2º, 8º e 5º nas mangas e o 3º lugar na geral)
Os
franceses constituíram uma surpresa. Com prestações aparentemente
modestas, mas com duas equipas muito regulares, conseguiram com
pezinhos de lã,
os
pontos necessários para surpreender a Espanha, assegurando o 3º
lugar e a medalha de bronze, por um ponto.
Begnine Ampaud e Frederic Charrais constituíram a melhor equipa
francesa totalizando 18 pontos (5º, 5º e 8º nas mangas e o 6º lugar
na geral)
Os
espanhóis, em último na 1ª manga, fizeram uma recuperação notável e
conseguiram dois 2º lugares na 2º e 3º manga, superando os
americanos.
Infelizmente
em termos de pontuação final, esta prestação veio a revelar-se
insuficiente para assegurar a medalha de bronze, pelo que devem ter
saído do Cabril com algum amargo de boca. Compensaram com dois
troféus de maior exemplar obtidos na 2ª e 3ª manga e com o 1º lugar
na 3ª manga obtido pela melhor dupla espanhola, os campeões
nacionais de Espanha de 2003, Juan Hiedra e Joaquim Prieto que
totalizaram 23 pontos (10º, 12º e 1º nas mangas e o 7º lugar na
geral)
Os
italianos constituíram talvez a maior surpresa pela fraca prestação
que desenvolveram.
Reconhecidos
especialistas de pescas finas, capazes de se adaptarem a condições
difíceis, dos primeiros europeus a abraçarem o drop-shot, não
conseguiram, no Cabril, localizar com a rapidez necessária as zonas
mais produtivas. Em termos individuais, conseguiram colocar 3
equipas no 9º, 10º e 11º lugares, mas nem por isso escaparam ao
último lugar colectivo embora apenas a 6 pontos do terceiro. A
melhor equipa italiana, Jacopo Gallelli e Stefano Ruggi, totalizou
35 pontos (9º, 6º e 20º nas mangas e o 9º lugar na geral). Como
atenuantes, a diferença das suas águas locais, lagos naturais de
pouca profundidade e rios com muita vegetação, muito diferentes de
barragens como a do Cabril com as suas águas límpidas e muito
profundas.
Conclusões finais
Esta Taça do Mundo
constituiu uma excelente prova preparatória do futuro Campeonato do
Mundo a realizar em Espanha e que colocou nas palavras dos futuros
organizadores, a fasquia muito alta. Conseguiu ainda mostrar a
especificidade da Pesca do Achigã aos mais altos dirigentes
federativos internacionais, separando, esperemos que de modo
definitivo, a pesca aos predadores (lúcio, lúcio-perca), da pesca do
Achigã.
Nada disto teria sido
possível, sem a visão do organizador da prova, Hermínio Rodrigues,
que está de parabéns.
Nada disto, teria sido também possível, sem a colaboração de um
conjunto significativo de pessoas, que contribuíram com os seus
conselhos e a sua ajuda, desde colegas pescadores que se ofereceram
como voluntários para a organização, aos que emprestaram os seus
barcos, aos autarcas e empresários locais que patrocinaram a prova,
às firmas que expuseram os seus produtos na feira do evento e aos
dirigentes associativos e federativos que se empenharam para fazer
desta prova aquilo que foi.
Alguns problemas
organizativos menores, prontamente resolvidos e outros, mais
significativos, como a não delimitação de uma zona de protecção à
pesca de maiores dimensões e que não deve voltar a ser repetido em
organizações futuras, não conseguem no cômputo geral, beliscar o
sucesso desportivo que constituiu este evento.
A
presença de público em grande número e uma pesagem à "americana"
contribuiu em muito para a espectacularidade do evento, infelizmente
ignorado, como já é habitual, pelos media nacionais.
Uma nota negativa,
para a ausência da única revista mensal exclusivamente de pesca - "
O mundo da Pesca" - num evento desta importância. Com rubricas
habitualmente alongadas da pesca do achigã, estranha-se e lamenta-se
a não cobertura de um evento desportivo desta importância.
Todos os participantes
neste evento, pescadores, elementos da organização, patrocinadores e
público, estão de parabéns. Conseguiram um marco na pesca desportiva
do Achigã que pode provocar um ponto de viragem na competição
internacional.
Para o ano há mais, no
Campeonato do Mundo em Espanha. Até para o ano.
Texto: Jaime Sacadura
Fotografias: Jaime
Sacadura, Jorge Carvalho, Maia Lopes, Hermínio Rodrigues, Manuel
Pascoal, Pedro Félix e Victor Elavai .
Mais fotografias da Taça do Mundo na
Galeria
Notícia na imprensa especializada
Italiana
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